quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Capítulo 25

Elizabeth




O meu quarto estava iluminado pelos raios de sol, que entravam pelas janelas do meu quarto. Espreguicei-me e rebolei na cama estranhamente feliz. Fui a varanda e observei a paisagem linda da parte de trás daquela casa gigante. O jardim estava ainda mais verde do que pela primeira vez que o vi, pela primeira vez gostei daquela paisagem assim. Desta vez quis ir ter com o Brandon primeiro que ele. Espero que ele ainda não esteja acordado. Tentei lembrar-me de como fui parar a cama, pois tinha adormecido no ombro do Christian, agora como e porque é que não sabia. Não me lembrava de grande coisa, só que tínhamos falado e que tinha adormecido, mas de qualquer maneira ainda bem que ninguém me viu, e que acordei não com ele mas sim na minha cama.
Fui vestir-me, penteei o cabelo e saí silenciosamente do quarto em direcção ao do Brandon. Entreabri com cuidado a porta e entrei em silêncio. Ele ainda estava a dormir e com aquele ar tão fofo. Avancei até a cama dele e sentei-me lá a observá-lo um longo período de tempo. Ele mexeu-se e abriu os olhos olhando-me sem acreditar muito bem no que via.
-Elizabeth? Que fazes aqui? – Perguntou esfregando os olhos.
-Que simpático ah… eu aqui, a querer dizer-lhe bom dia, e tu a falares assim. Obrigadinha. – Disse virando-me e cruzando os braços no peito.
Ele aproximou a boca do meu ouvido e sussurou-me:
-Desculpa amor, nem sabes o quão estou feliz por tares aqui comigo.
Sorri-lhe e abracei-o beijando-o.
-é hoje que vamos procurar o tal portal? – Pergunto.
-Sim, mas não é agora. – Beija-me.
Afasto-me e meto as mãos na cara dele a sorrir.
-Todos já estão acordados, por isso, tu também levanta-te e vamos tomar o pequeno-almoço.
Ele risse.
-Qual é a piada? – pergunto levantando uma sobrancelha e fazendo cara de admirada – porque é tão difícil tirar-te da cama? – pergunto levantando-me. Vou até a janela e afasto os cortinados de modo com que o quarto fique todo iluminado pela luz diurna.
-Hum – resmunga o Brandon e deita-se na cama.
Aquilo deu-me vontade de rir.
-Hum nada. Anda lá. – Pego-lhe no braço, mas ele puxa-me e eu caio em cima dele.
-Só mais uns minutos.
Olho para ele.
-Só mais um pouco, vá lá. – Fez beicinho, oh, tão lindo, e tão fofo com aquele ar, que nem resisti.
Beijei-o, passando as minhas mãos pelo peito dele, que pela enésima vez, era perfeito, fogo, se eu tivesse um corpo em tão bom estado era mesmo bom.
O cabelo dele era macio e a forma com que ele me beijava, a forma como os lábios dele colavam-se aos meus era do outro mundo.
Interrompi o beijo, pestanejando, com medo que as coisas não ficariam por ali. Ele olhou para mim e esboçou um sorriso maravilhoso.
-Eu percebo – disse – não farei nada do que ainda não queiras – assegurou-me.
Uffa, aquilo acalmava. Ainda bem que tinha um namorado tão compreensivo. Em resposta sorri-lhe e dei-lhe um beijo.
-Eu sei que percebes. Amo-te – sussurei-lhe contra os lábios.
Depois de uns bons minutos passados na cama com o Brandon lá o obriguei a sair e ir vestir-se. Enquanto isso, dei uma volta pelo quarto e passando as minhas mãos pelas coisas dele e da Layla, que afinal, tinha vivido lá antes, simplesmente quis que o Brandon ficasse cá. Se calhar não contava que ele ia aparecer comigo e com a Aby.
Uma coisa me chamou a atenção. A gaveta estava entreaberta e a foto da Layla sorridente notava-se um pouco. Olhei para a porta da casa de banho que estava fechada, a água ainda estava a correr, por isso o Brandon não ia sair agora. Tirei a foto.
Nela estava a Layla, com um sorriso bonito e com uns olhos que brilhavam e que transmitiam felicidade que me pareceu contagiosa, ao lado estava o Brandon a abraça-la igualmente feliz. Abri a gaveta ainda mais, procurando mais alguma coisa. Encontrei mais uma foto, desta vez a preto e branco, com a Layla de cabelo encaracolado solto, mas muito bem apanhado no cimo da cabeça, com um vestido que me pareceu talvez do século XVIII ou XIX, era elegante, ao lado em pé estava o Brandon, um verdadeiro homem, belo, feliz e sério. Ambos sorriam. Toda a felicidade que eu tinha até ver aquilo, desapareceu e deu lugar a uma mágoa e ciúme. Eles foram felizes. Nunca vi o Brandon daquela maneira. E ela também estava muito diferente comparada com aquilo que parece agora.
Ouvi a água ser desligada, arrumei apressadamente as fotos no lugar e fui até a janela.
Não devia sentir aquilo. Foi um passado, foram páginas de um livro, de uma história que eles passaram juntos, e que é lógico que não podem esquecer.
Acho que não era justo eu estar com cenas de ciúmes. O que foi, já foi, estou a viver no presente, por isso, tenho que esquecer, a Alyson e a Aby dizem que ele me ama a 100%, e eu acredito nelas.
Respirei fundo e virei-me. O cabelo dele estava molhado e caía tão lindamente sobre o rosto que quase sorri, quase.
-Vamos? – perguntei.
Ele aproximou-se de mim e abraçou-me pela cintura.
-Já? – perguntou beijando-me o pescoço.
Ri-me.
-O tempo que ficamos a mais não te chegou? – pergunto.
Os lábios dele chegam ao meu ouvido.
-Não te vou responder a isso – sussurou.
-Porque? – perguntei intrigada.
Mas ele nem ligou.
-Queres saber o maior dos meus orgulhos e segredos? – perguntou contra os meus lábios.
-Quero - sussurei curiosa.
-O meu maior orgulho é dizer que te amo, e ter-te ao meu lado, a partir de agora já não é segredo – disse beijando-me.
Oh, aquilo comoveu-me. Não tinha mais dúvidas que ele me amava.
-Desculpem!
O nosso beijo foi interrompido por uma voz fina e bonita. A Aby virou-se para não nos ver. Eu olhei para o Brandon e sorri.
Depois virou-se outra vez para nós a sorrir. Sabia que ela tinha feito aquilo de propósito mas não pude dizer nada.
-Até aqui fazem o mesmo? – perguntou, andando a nossa volta, com a mão no queixo e observando-nos de cima a baixo. – Daqui a pouco vamos procurar o raio do portal, e vocês ainda aqui. – resmungou.
Troquei um olhar com o Brandon.
-Estamos já indo – disse, encolhendo os ombros.
Ela olhou para mim, depois para o Brandon, depois outra vez para mim, e abriu muito os olhos tapando logo a seguir a boca. Estava a conter-se para não se rir.
Afastei-me do Brandon rapidamente e lancei um olhar zangado a Aby.
-Vamos – disse-lhe.
Ele saiu porta fora e eu fui atrás com a Aby a morrer do ataque de riso ao meu lado.
-Oh meu deus! O que fizeram? Quero saber tudo, tudinho. Do mais pequeno pormenor, estás a ouvir-me? – perguntava ela, fazendo uma voz tão fina, mas bonita.
-Não aconteceu nada de especial - sorri-lhe.
-Ah pois não! – resmungou – acredito.
-Ainda bem – digo.
Ela resmunga alguma coisa que eu não percebi.
-E já agora. Porque tens que interromper-nos sempre quando estamos juntos? Já nem tenho privacidade. Eu nunca te fiz uma coisa destas quando estas com o Nigel – resmungo também, sabendo que desta vez tenho toda a razão e ela não me poderá dizer nada.
-Ah, pois claro. Tu tens demasiada vergonha e és demasiado bem educada para interromperes ou fazeres algo de errado – sorri-me.
Revirei os olhos. Até aí encontrou uma resposta.
-Tu também devias ser um pouco mais, não achas? – perguntei.
Ela abanou a cabeça e correu para os braços do Nigel. Nem reparei que tínhamos chegado a sala.
O Brandon já estava a mesa e tinha uma cadeira vazia reservada para mim ao lado dele. A Layla e a Hannah estavam com um aspecto sonolento, mas mesmo assim continuavam a ser deslumbrantes.
A Alyson, mal estava sentada a mesa, a rapariga parecia um sonâmbulo, mas mesmo assim acenou-me e sorriu. Sorri-lhe também. Fui ter até ao Brandon e sentei-me ao lado dele.
-Quando é que vamos então? – perguntou a Aby.
-Depois do pequeno almoço – respondeu a Hannah.
-Uff, vamos precisar de andar muito? – perguntou.
-Claro que não. Vamos de carro, e também não é muito longe – encolheu os ombros o Brandon.
-Quem é que vai conduzir – perguntei.
-Eu! – disse com orgulho o Brandon.
Oh, pronto, então já tá tudo resolvido, é lógico que não íamos demorar muito, tendo em conta com que velocidade o Brandon entra.
-Ah – disse, bebendo o meu café.
O pequeno-almoço passou num instante, quase nem reparei. Como até ia bastante gente, num carro não cabíamos todos, por isso a Layla, Hannah, Alyson e mais dois rapazes foram num lindo BMW e eu, mais o Nigel, Brandon e Aby fomos no nosso Jeep. Quer dizer, não era nosso, era do Nigel.
Como me disse, foi o Brandon a conduzir, chegamos a primeira estação em meia hora. Não sabia bem o nome daquilo, mas tinha sensações estranhas. Estava ansiosa para acontecer sei lá o que.
Saímos do carro e dirigimo-nos ao longo do caminho-de-ferro. Não havia lá gente, conclui que já não funcionava a muito, pois as paredes estavam todas descascadas e as janelas todas partidas.
-Vamos dividir-nos. – mandou o Brandon – Aby, Alyson, Paul e Liz venham por aqui, o resto vem comigo.
Fizemos o que ele mandou sem resmungar. Enquanto a Aby e o resto observavam a parede a alguns passos de mim, eu fui guiada por uma sensação até ao outro lado. Estava tudo vazio, os papéis voavam pelo chão, pois naquela parte, estranhamente fazia muito vento e que me gelava os ossos. Na parede estava algo escrito que me provocou tonturas. Agarrei-me a cabeça e chamei pelo Brandon. Sobressaltei-me ao reparar que ele já estava a segurar-me pela cintura.
-Olha para isto – sussurei.
Ele olhou. A Aby e o resto já estavam a minha volta.
-O que é isto? – perguntou apontando o dedo.
-Não consigo ler isso – respondeu o Nigel. Tudo o resto abanou a cabeça em sinal negativo.
Esforcei-me para tentar ler. As letras saíram dos sítios e eu quase caí. A minha frente abriu-se uma coisa branca brilhante.
-Liz? Está bem? O que disses-te? – perguntou-me  o Brandon.
Reparei que estava sentada no chão e ele ajoelhado ao pé de mim.
-Não disse nada – respondi – porque? O que é isto? – perguntei olhando para aquilo. As torturas já me passaram.
-É o portal Liz. Tu leste o que estava escrito. Percebeste isso? – perguntou-me o Nigel.
Abanei a cabeça a dizer não. Eu tinha dito alguma coisa?
-Vamos agora? – perguntou a Hannah.
-Acho que é melhor não. Descobrimos o portal. É o que interessa. Voltamos aqui a noite. A Liz está mal, precisa de descansar – disse o Brandon, beijando-me a testa.
Sorri. Levantei-me e fui com a ajuda do Brandon até ao carro.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Capítulo 24

Elizabeth



Acabo de arrumar a roupa que me resta e fecho a porta do armário dando um pequeno passinho para trás e abrindo a boca de espanto perante aquilo que vejo.
O enorme espelho que estava ao comprimento de toda a porta reflectia uma imagem de uma rapariga que era eu. A minha trança estava completamente desfeita devido a viajem e eu própria apresentava-me muito cansada.
Depois de jantar sem duvida que vou para o meu quarto dormir e ter umas boas doze ou mais horas de sono. Já não as tinha a bastante tempo.
Tempo onde eu era uma rapariga normalíssima que tinha discussões com os pais e odiava o irmão mais novo que não parava de chatear, aquela rapariga que tinha boas notas porque tinha um objectivo na vida, e estava formatada para o seguir. Dantes isso tudo era eu. Um eu, que agora está escondido debaixo de um monte de problemas e preocupações incomuns. Se eu dantes desejava ter uma vida sobrenatural, não era desta maneira, podem ter a certeza. Ter dons mágicos e isso, é tudo muito fixe mesmo, mas não agora, não eu. Nestes últimos dois dias só desejo paz que pelos vistos nunca vou ter.
Alguém bateu a porta e eu ajeitei o cabelo, com esperança de ser o Brandon a entrar por aquela porta e fazer-me esquecer daquilo que eu sou, e fazendo-me sentir uma adolescente normal, e sem o mínimo de problemas, cujas preocupações deviam ser os exames para o ano, mas o meu sorriso quase se foi quando pela porta entrou a Alyson, com o seu sorriso deslumbrante de um ser angelical.
-Daqui a alguns minutos é para descer para a sala de jantar – avisou-me.
Respondi-lhe com um sorriso.
-Oh, que bom, mas ainda não vou descer já. Queres fazer-me companhia? – perguntei com uma esperança sincera que ela quisesse mesmo ficar comigo e ouvir as minhas tretas da vida.
-Claro que fico – sorriu-me – começando por meter conversa, é que eu não sou boa nestas coisas – leva a mão ao cabeço em sinal de embaraço – que tipo de música gostas? – Pergunta, sorrindo.
Ri-me.
-Já somos duas. Pensas que eu sou boa a meter conversa? Isso é no que todos se enganam. Eu gosto de metal – sorrio – e tu?
-Também! Que fixe! Estou a ver que já temos duas coisas em comum a contar com o mesmo gosto de desenhos na roupa – olha para a t-shirt dela e minha e começa-se a rir.
Sem perceber a piada baixo a cabeça e rio-me também. Nas nossas t-shirts pretas estava desenhado em ambas um desenho de uma pantera com a boca aberta e com olhos dourados e com garras. Eu amava aquela t-shirt, para ser mais exacta era a minha preferida.
-Pelos vistos – digo e começo a rir-me outra vez – foi oferecida pela Aby, há uma semana atrás – digo passando a mão pelas presas a mostra daquele desenho.
-A mim não – sorri – comprei-a quando saí daqui, apaixonei-me por ela. Adoro animais, principalmente pumas, leões, tigres, panteras e leopardos – diz, sentando-se ao pé de mim. Sorrio.
-Eu não sei como te fazer esta pergunta – digo baixando os olhos e pensando naquilo que lhe vou perguntar – é pura curiosidade a sério – acrescento.
-Porque e como me tornei vampira? – Arqueou uma sobrancelha e sorriu-me.
Suspirei.
-Sim – disse, ficando vermelha não sei porque. Opa, fogo, odiava isso em mim, detesto ficar corada sem razão aparentemente boa. O principal é que ela percebeu.
-Oh, não precisas de ficar embaraçosa, claro que eu conto, não é um segredo assim tão grande, apesar de só saberem alguns, incluindo tu agora.
-Oh, obrigada, é que eu não conheço ninguém daqui e gostava como vês de saber um pouco sobre alguns, como por exemplo sobre ti, sobre a Layla e sobre a Hannah.
-Está bem – risse – Para começar a Layla e a Hannah não são do mesmo planeta que eu. Aliás elas são daqui, da Terra.
-Oh, não sabia. Então e tu és de Andrêo?
-Sim, sou. Elas são irmãs, eram umas irmãs inseparáveis até terem conhecido um rapaz, um rapaz que elas me contaram e disseram que era lindo e perfeito por fora, mas o que se veio a descobrir horrível por dentro. Utilizou-as as duas, quando elas estavam as beiras da morte, o Nigel e o Brandon transformaram-nas, porque não havia outra escolha – suspirou.
-Que horror – digo, olhando para o vazio daquele quarto.
-Eu nasci e vivi em Andrêo – sorri – tinha uma vida perfeita – até o mundo ser conquistado pelo irmão do passado rei. Ele assumiu o trono matando o rei e a rainha, e deitando as mão a filha, que mais tarde descobriu-se que morreu – disse tristemente – o irmão, apesar de ter roubado o trono, não foi marcado pelos dragões, aqueles que formaram o nosso mundo, por isso ele não tem um poder completo, apesar de possui-lo na mesma. É para isso que ele precisa da última herdeira do trono, para roubar-lhe o poder e depois matá-la. Para a protecção dela, a muito tempo atrás foram escolhidas sete pessoas, elas foram ensinadas a lutar e a sobreviver, foram treinadas para proteger a futura herdeira. Mas infelizmente nenhum deles consegui utilizar o que foi-lhes ensinado, por isso alguns revoltaram-se e fugiram para este mundo, outros tornaram-se escravos, e alguns andam pela terra a semear destruição e horror pelos países – concluiu, com um brilho demasiado triste no olhar.
Estremeci perante a ideia de matarem a pobre rapariga mas antes disso faze-la sofrer.
-Oh, que horror – disse – mas não quero falar mais disso, vamos jantar antes que alguém se chateie connosco – levantei-me e saí porta fora com a Alyson ao lado.
Desci as escadas, e entro numa sala de jantar muito bem decorada mesmo, tudo em tom de prateado e branco, era muito bonita, a mesa era grande, cabendo lá toda a minha família incluindo os primos e isso, mas apesar de tal pensamento tudo estava perfeito assim, a mesa decorava muito bem a sala, dando-lhe um ar mais original. O Brandon estava a conversar com a Layla, mas quando reparou em mim, parou e sorriu-me. Sorri-lhe também e passei o meu olhar pelo resto da mesa. A Aby estava ao pé do Nigel, pelos vistos a discutir. A Hannah olhava quer para um quer para outro, depois de alguns segundos pegou num copo e bebeu um grande gole de vinho. Ates que aquilo piorasse, resolvi meter-me na discussão.
-Boa tarde a todos! – disse sorrindo – Aby, tens um minuto? – perguntei com um sorriso forçado.
A Alyson dirigiu-se a mesa, e a Aby olhando-me um pouco furiosa, lá cedeu e veio ter comigo. Afastei-me o suficiente para ter a certeza que ninguém nos ouvia.
Viro-me.
-Aby! Que raio que estás tu a fazer? Porque estás a discutir com o Nigel, podes explicar-me?
-Não estou a discutir com ele – resmungou cruzando os braços no peito.
-Ai não? Então eu sou cega e surda! – resmungo também.
-Prontos ‘tá bem! Que queres que te diga? Aquela rapariga põe-me os cabelos em pé! Odeio-a, neste curto período de tempo que a conheço, falando com ela só duas vezes! Porque ela se mete com o Nigel? Afinal, foram ou não foram ex namorados? Ex, não são namorados! Os olhinhos que ela lhe faz já bastam para ela merecer morte! – rebentou, dizendo-me tudo o que realmente pensava.
-Calma Aby, a sério. Deixa ‘tar. Tu sabes perfeitamente que ele só gosta de ti, e de mais ninguém, por isso não fiques assim e acalma-te. Ela não o consegue esquecer, porque realmente ela foi transformada em vampira pelo Nigel, e tão mal como pareça a Layla foi pelo Brandon. – vendo a cara agora séria dela, e sabendo que a fúria estava indo, dando lugar a uma confusão e desapontamento continuei – a Alyson me contou, que o Brandon e o Nigel encontraram-nas aqui na Terra quase mortas, como tiveram pena delas transformaram-nas. Eles estão juntos desde muito tempo Aby, e para mais incrível que pareça nenhuma de nós consegue fazer o contrário, elas para sempre lhes vão ser gratas e isso sem ter em conta que já tiveram relação.
Ela pestanejou.
-Está bem. Convenceste-me. Desde que ela não faça nada que eu não goste tudo bem, mas agora já chega de uma lição de moral e anda comer que eu estou cheia de fome – diz, encaminhando-se para a sala de jantar.
Fiquei ao pé do Brandon e a Aby ao pé do Nigel. Estava feliz por pela primeira vez na vida, as minhas palavras lhe tinham realmente entrado naquela cabecinha. É que normalmente tudo o que eu dizia ela deixava passar. Conversamos animadamente ao jantar, que foi saboroso. A seguir levantei-me da mesa e dizendo um até amanhã e boa noite ao Brandon fui para o quarto.
Tomei banho e vesti o meu pijama, liguei o mp4 e meti na minha música preferida dos Evanescence, Bring me to live. Não sei porque simplesmente gostava dela.
Vendo no ecrã do telemóvel que já passava de meia noite, tirei os fones e arrumei-os na gaveta da mesinha de cabeceira. Tinha uma sms da minha mãe a perguntar como eu estava e se o voo correu bem. Fechei os olhos e ralhei-me mentalmente, porque tinha-me esquecido completamente que devia ter ligado ou mandado algo a minha mãe depois de chegar. Escrevi rapidamente uma sms e enviei. Felizmente foi entregue.
Enrolei-me no cobertor fofinho e adormeci.
Desta vez a abrir os olhos, pisco várias vezes para me habituar a escuridão e a suave luz da lua que entra pelas janelas do meu quarto.
Não sei o que me acordou, porque de facto, neste momento estou sentada na cama a respirar rapidamente, como se tivesse a correr durante uns bons vinte minutos numa das aulas do nosso professor de física. No relógio estavam marcadas duas horas da manhã. Perfeito. Só tinha dormido uma hora, ou nem isso.
Como de certeza que não ia adormecer por enquanto, saí da cama e fui silenciosamente até a porta das traseiras pela casa. Quando alcancei-a saí correndo para o jardim. Cheguei a uma parte muito parecida aquela que eu encontrei no jardim da casa do Nigel, mas este era mais gracioso e mais belo, na maneira de ser. Uma brisa suave e um pouco fresca soprou e quando eu senti a presença de alguém atrás de mim, gelei dos pés a cabeça.
-Christian. – consegui murmurar, contra o vento que deu substituição a brisa.
Senti-o a sorrir.
-Lembras-te do nome e tudo. – disse cínico.
Fiz uma careta encarando-o. Tudo o que ia para dizer foi-se a vida, quando o vi. Estava ainda mais bonito, se isso fosse possível claro, mas pelos vistos até é. Vestia a mesma roupa, só que outra t-shirt. O cabelo estava pó despenteado, e por debaixo da t-shirt podiam-se notar os músculos sólidos e perfeitamente esculpidos naquele corpo. Afastando aqueles pensamentos perguntei.
-É um sonho?
Ele olhou para mim, e o olhar que ele me dirigiu provocou-me uma sensação nunca antes sentida, somente com o Brandon.
-Não – curvou o canto da boca.
-Então é real. Então mas e como tu podes aparecer aqui? Quer dizer, isto não tem uma espécie de escudo ou assim? – Perguntei confusa.
Afinal a casa do Nigel tinha, mas só era contra os vampiros.
-Já te disseram que lês demasiado? - Perguntou.
Estava a gozar comigo. E eu detestava isso, por isso respondi-lhe num tom mais convencido que consegui imitar.
-Já. Disseste-me isso na visita passada que me fizeste.
Ele riu-se.
-Não faças isso. Fica-te mal.
-Fica-me mal o que? – arregalei os olhos espantada com tal comentário.
-Essa cara, esse gesto de desprezo e desinteresse. – esclareceu.
-Oh desculpa! – resmunguei.
Estava com frio, os meus pés pisavam o relvado fresquinho, mas com o vento parecia gelo, tinha-me esquecido completamente de calçar alguma coisa.
-Consegues fazer parar um bocadinho o vento? – arrisquei perguntar.
Ele só se riu.
-Pensas que eu sou quê? Uma espécie de super homem? Já te disse para de acreditar naquilo que costumas ler.
Aquilo desta vez zangou-me.
-Desculpa lá. Mas eu também leio sobre vampiros, imortais, lobisomens e essas coisas todas, e como vês afinal existem! – exclamo levando as mãos ao ar – vou me embora antes que fique doente ou assim. Adeus.
Viro costas e começo a sair daquele espaço lindo, mas agora gelado e completamente desagradável.
-Essa pulseira.
Ao ouvir a voz dele e a dizer “essa pulseira” virei-me.
-Que ela têm? Encontrei-a daquela vez no meu sonho – disse – explica-me.
-Explico-te? Tu devias saber. Deixei uma coisa que realmente te pertence. Encontrei-a. Ninguém sabe dela, excepto tu e eu. Ninguém sabe que eu estou aqui excepto nós os dois – diz. Parecia que se estava a rir por dentro. Mas aquelas palavras fizeram com que a minha cabeça parasse completamente de funcionar.
Ele tinha razão. Era difícil aceitá-lo mas tinha mesmo. Ninguém sabia que estávamos ali juntos, e pelos vistos ninguém tinha reparado na minha pulseira, o que era bastante bom. Eu que nunca gostei de ser o centro das atenções.
O Christian aproximou-se de mim, e levantou-me o queixo, olhando-me com aqueles olhos belos, mas letais e gelados.
Beijou-me.
Não tive tempo de reagir. Só despertei uma partezinha do meu cérebro quando contra minha vontade os meus braços rodearam o pescoço dele.
Aquele beijo nada era parecido com aqueles do Brandon. Este era em uma parte frio, mas por outro era quente e doce, demonstrava uma paixão nunca antes sentida. Os seus braços envolveram-me a cintura enquanto os nossos lábios se moviam ao mesmo ritmo.
Quando a razão forçou a entrada até ao meu cérebro interrompi o beijo e afastei-me um pouquinho de nada. Continuei a respiração acelerada dela perto de mim. Não o olhei nos olhos, não queria, aquilo que acabei de fazer ia contra todas as minhas lógicas.
Afasto-me dele e sento-me no relvado abraçando os joelhos. Apesar de continuar a estar vento, eu sentia-me quente. Senti-o atrás de mim e depois ao lado, olhando para longe, tal como eu. Nem ele nem eu falamos durante um bom bocado. Até que eu resolvi quebrar o silêncio.
-Tenho que ir. Amanhã acordo cedo – o que??? Tinha dito mesmo aquilo? Ele nem precisava de saber nada disso. Se ele descobrisse o que realmente iríamos fazer, estava tudo perdido. – quer dizer, até não muito. De qualquer das maneiras tenho que ir. – levantei-me, mas ele pegou-me no pulso.
Finalmente consegui olhar para ele. Desta vez os olhos já não me pareciam tão frios, tinham um suave toque metálico e brilho que eu nunca lhe vi.
-Desculpa. Eu não devia ter feito nada disto! Sou uma estúpida! – Exclamei atrapalhada. Mas em vez de negar o que tinha acabado de dizer ele olhou-me nos olhos.
-Fica comigo esta noite. Aqui. Por favor – pediu.
Não consegui pronunciar palavra. Voltei a sentar-me e encostei-me ao ombro dele.
Eu estava ali, enquanto o Brandon dormia sem saber de nada. A culpa tomou conta de mim, e eu esforcei-me para não chorar. Eu nunca lhe iria contar. Nunca. O último pensamento ou uma frase que me pareceu ouvir antes de cair num sono profundo foi : “Vem ter comigo, eu espero-te, vem”.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Capítulo 23

Elizabeth



Na manhã seguinte, acordei cedo. Quer dizer, oito horas para mim era muito cedo.
Fui até a casa de banho, tomei um banho, escovei os dentes e penteei o cabelo, fazendo uma trança para o lado. Ao menos assim não ficaria a perturbar durante a viagem.
Enquanto o Brandon dormia, podia aproveitar para me vestir. Era estranho ele ainda não acordar, e ainda mais estranho estar deitado na minha cama.
Normalmente quando eu acordava ele já estava em pé. Costumava ver tv, ou então simplesmente ‘tar lá na boa no quarto dele, mas pronto. Claro que eu também acordo por aí as onze horas, por isso acho que é lógico, e também está é a segunda noite, em que tenho um sono realmente bonzinho. Quer dizer, tirando o sonho, é que nem neles me deixam em paz, o principal é que não toquem na Aby.
Olhei para o Brandon, que tinha uma respiração calma e dormia tranquilamente. Como ele era fofinho. Foi bom acordar com ele ao lado.
Lembrando-me do rapaz de olhos gelados, levei automaticamente a  mão ao pulso esquerdo. Nele estava a brilhar uma pulseira linda e prateada. Então aquele sonho nada teve de irreal. Aconteceu. A pulseira era a prova disso. O rapaz consegui entrar nos meus sonhos, e foi sem eu dar-lhe autorização nenhuma. Raio de coisa? Quer dizer, eu é que sonho e ainda sofro. O miúdo irritou-me bastante, ninguém ainda me tinha posto fora de mim, daquela maneira. Agora quem me tinha deixado a pulseira era a pergunta do dia. Ultimamente só tenho perguntas, perguntas e perguntas, mas nada, nem um sinal de algumas respostas. Tínhamos que encontrar a guardiã. Isso é que interessa. Como ela é? Só sabemos que é uma rapariga. Oh meu deus. Só tenho 16 anos e com tantos problemas anormais na adolescência. Em vez de me preocupar em como arranjar uns sapatos, roupa, o cabelo e um namorado perdido de bom, para depois ir com ele a festa e todos ficarem de boca aberta (um sonho normal na adolescência), eu penso em como salvar uma rapariga que está as beiras da morte, em como manter a minha melhor amiga afastada de todo o perigo e de como eu amo o Brandon mas não sei se é a coisa certa a fazer.
Hum.
Vida maravilhosa a minha não é? Não podia ser melhor.
Olhei para relógio do telemóvel. Daqui a duas horas iríamos para o aeroporto e o Brandon nem aí para acordar.
Tirei do armário e vesti uns calções confortáveis de ganga clara, uma camisola de alças branca e umas all star que a Aby me ofereceu no meu aniversário, caras como não sei o que. Ainda tinha pensado em não aceitar, mas com a Aby isso não funcionava. Apesar disso eram lindas. Eram pretas, com fechos prateados de lado. Simples mas giras.
Cheguei a cama e abanei com cuidado o Brandon. Esse nem se mecheu. Abanei-o outra vez. Abriu os olhos.
-Bom dia. Acorda, ainda temos que fazer muitas coisas – sussurei.
-Se isto é um sonho, não quero acordar – murmurou ele num sorriso.
-Anda lá! Não é um sonho, tudo é real, mas basta acordares para veres. Rápido se não queres perder o voo a Inglaterra.
Ele abriu novamente os olhos e fez um sorriso rasgado.
Abandonei a minha cama e fui até as janelas gigantes do meu quarto ver como estava o tempo.
Lembrei-me do tal Christian que me esteve a observar. Algo nele era bom, mas também ele era assustador e quando ele olhava para mim, eu sentia-me um rato pequenino que era vítima de uma experiencia. Que treta. A beleza dele era letal. Até os olhos pareciam matar. Agora já percebo melhor a expressão : “O olhar mata”.
A manhã estava mais que maravilhosa, estava fresco. Fechei os olhos e inspirei o ar apreciando.
Não sei quanto tempo passou, porque de um momento para outro o Brandon estava atrás de mim com o braço a rodear a minha cintura. A boca dele estava perto do meu ouvido o que me provocou cócegas.
-Bom dia. Ainda bem que o sonho ainda não acabou – sussurou-me ao ouvido.
Estremeci e virei-me para ele. Estava a sorrir. Sem resistir-lhe beijei-o com uma paixão tal, que nem dá para explicar.  
-Tiveste bons sonhos? – perguntou-me abraçando-me e olhando para os montes que se estendiam a nossa frente.
Dirigi o meu olhar também para lá, pensando melhor no que lhe ia dizer.
Tinhas duas hipóteses. Ou lhe dizia a verdade. Que o rapaz que quase me matou naquela manhã horrível, persegue-me e aparece nos meus sonhos tornando-os pesadelos. Apesar de não ter sido bem assim. Ele podia ter-me irritado, mas pelo menos depois ele mudou de cenário, criando aquela ilusão maravilhosa. Ou então mentia-lhe dizendo que os sonhos foram do melhor. Optei a segunda opção.
-Foram do melhor – sorri. Graças a deus, que ninguém descobria as minhas mentiras. Quer dizer, não gosto de mentir, mas neste momento era mesmo preciso.
Ouvi alguém a pigarrear, e ambos viramo-nos para ver quem era. Nem me admirei quando vi a Aby sentada no sofá com um sorriso malandro no rosto.
-Hum, bom dia gente, não sei, mas o pequeno-almoço já esta a vossa espera, ou já o tomaste Liz? – disse ela num tom de gozo. Iria matar-me. “já o tomaste Liz?”. Ela estava lixada comigo!
Peguei na almofada que estava na cadeira de baloiçar ao meu lado e atire-lhe. Infelizmente ela apanhou-a.
-Para a tua informação, as minhas reacções são como de uma gata….
Atirei-lhe outra. Essa acertou-lhe em cheio.
O Brandon deu uma gargalhada.
-Venham comer, daqui a pouco saímos – disse ela.
Mostrei-lhe a língua e dirigi um olhar do tipo “reacções de uma gata na água hem?”
Ela atirou-me a almofada que se não fosse o Brandon acertaria-me mesmo na cara.
-A isto é que eu chamo reacções de um gatinho – contraponho.
-Hum. Até que parece – resmungou e saiu do quarto.
Comecei a rir-me.
-Sabes? Ela mais tarde vai lembrar-se. E aí já não estarás ao meu lado. E sabes? Ela tem muita força – digo, olhando para ele a sorrir. Ele beija-me e depois olha-me nos olhos.
-Nunca vou ficar longe de ti. Sempre por perto.
Sorri.
***
Eramos para chegar atrasados ao voo. Se não fosse a ferocidade com que o        Nigel conduzia, íamos mesmo perde-lo.
A viagem até correu bem, fiquei sempre ao lado do Brandon e ás vezes falava com a Aby, que fez mais que uma tentativa em pagar-me o erro que fiz de manhã ao atirar-lhe a almofada. Era na brincadeira, o que era fixe. A primeira tentativa foi atirar-me uma almofada de novo, mas tinha-me abaixado a tempo. No avião foi a segunda tentativa, quando ia quase me entornando uma Pepsi. Felizmente o Brandon apanhou-a antes de ela molhar-me toda.
Agora estávamos no carro e eu observava os campos verdes pelos quais passávamos. Não sei porque tinha uma paixão enorme por aquilo.
O carro ia um pouco devagar, porque aquilo era Inglaterra e lá ao meu critério é tudo ao contrário.
-Chegamos – declarou o Brandon.
Nem tinha reparado que o carro já parou. Saí e levantei os óculos de sol.
A minha frente estava uma casa enorme, branca e decorada muito bem. A volta também tinha um jardim, do qual o jardineiro estava a tratar neste preciso momento. Avancei observando tudo a minha volta. Vocês nem imaginam quão difícil é viver num mundo onde os ricos dominam. Quer dizer, pelo menos até agora do nosso pequenino grupo, os três eram riquíssimos.
Da casa saíram três raparigas, que eram talvez um ou dois anos mais velhos que eu. Uma delas a mais pequenina era pelo que me pareceu da minha idade. Sorriu-me e eu retribui-lhe o sorriso.
As três eram lindas de morrer.
-Olá – sorriu-me a mais alta. Vestia um elegante vestido curto, que ia uns dez centímetros acima do joelho. Era azul escuro e tinha um decote bem grande. Desde já digo que não gosto dela, mas retribui-lhe o sorriso.
-Chamo-me Layla, esta é a Hannah e esta é a Alyson.
Observei as outras duas. A Hannah era muito séria. Também me sorria mas com um sorriso menos amistoso e mostrava claramente que não éramos bem-vindas aqui. Ou melhor, eu e a Aby é que não éramos bem-vindas, porque ao olhar para o Nigel os olhos da Hannah brilhavam, da mesma maneira que brilham os da Layla que observa o Brandon. A Alyson era a melhor das três. Tinha um sorriso sincero e pareceu-me mesmo muito fixe. Vestia uns calções e uma t-shirt preta. Tinha um cabelo ondulado preto e olhos castanhos. Já a Hannah era loira e tinha uns olhos cinzentos, era bastante parecida com a Layla, menos na cor de cabelo, porque esse era castanho. Olhei para a Aby que me lançou um sorriso irritado. Percebi que estava zangada com a Hannah que olhava sem intervalos para o Nigel. Encolhi os ombros.
Cumprimentei as raparigas e segui-os para a casa. Lá dentro ainda era mais bonita, não dá para descrever.
-O vosso quarto meninas é lá em cima, são os dois primeiros logo a esquerda. – explicou a Alyson.
-Pois e o vosso é a direita, ao pé dos nosso – sorriu a Layla com um sorriso provocador.
Subi as escadas ao lado da Aby.
-Sabes uma coisa? Se aquela gaja mal vestida e que não sabe nada sobre a moda fizer mais alguma vez olhinos ao meu Nigel, ou tocar-lhe mais alguma vez no braço ou assim, ela vai ficar sem cabeça em um segundo e nem quero saber o que irão as outras duas pensar. Para além de mais, aquela Layla também irrita. Porque ela olha daquela maneira para o Brandon? Oh! Que nervos! – disse-me a Aby, claramente irritada.
-Eu também não gosto delas. Mas por acaso gostei de conhecer a Alyson. Sabes quem é?
-Sim sei – abriu a porta do quarto dela, que também era grande – ela também é uma das guerreiras que protegem a guardiã, é uma vampira e pode-se dizer que joga na mesma equipa que eu.
-Ah… - sentei-me na cama. E quem são elas as duas? As outras?
-Olá meninas! – interrompeu-nos uma voz melodiosa e no quarto entrou a Alyson. – Bem-vindas.
-Olá – sorri – Obrigada.
-Hum- fez a Aby – pelos vistos nem somos muito bem-vindas – disse.
Aquela miúda dizia tudo sem pensar.
A miúda sorriu.
-Elas são as ex-namoradas dos vossos amigos, ou melhor são vossos namorados não é? – perguntou.
A Aby fingiu que engasgou-se.
-Desculpa? Ex-namorada? A Hannah? OMG. O Nigel tá lixado!
-Hey, calma, nada de mais. – apressei-me a dizer.
-Foi a quanto tempo?
-Hum, o Nigel acabou com a Hannah a três anos atrás e o Brandon acabou com a Layla a mais ou menos um ano atrás. Mas tenham cuidado que nenhuma delas os esqueceu por completo. – avisou. – não queria que soubessem isso de mim, mas é melhor avisar-vos.
-Obrigada pelo aviso, mas acho que não acontecerá nada de mal. – disse.
Esperava bem eu. A Aby começou a desarrumar as malas bruscamente, estava claramente muito irritada. A Alyson saiu do quarto e eu deixei a Aby na onda dela. Era melhor não chateá-la. Entrei para o meu quarto que era um pouquito menor que aquele que tinha em casa e também comecei a desarrumar a mala. Tinha um pressentimento que ficaríamos em Inglaterra muito mais que o previsto. Pelo menos esperava bem que não.  

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Capítulo 22

Elizabeth



-Não era suposto ficares sem roupa após a transformação? É que estás com ela e eu não levei nada comigo, para tu vestires – perguntei admirada.
Ela só se riu.
-Não. És tonta. Quando eu me transformo a minha roupa desaparece não sei para onde. Tipo é como se eu tivesse uma mala invisível para onde ela vai e todas as outras coisas que eu levo. Isso é vantajoso e é muito bom.
-Aham…
Fui até a cascata e sentei-me numa rocha com ela ao lado. Observamos a água cristalina e os peixes cor-de-laranja que nadavam e brilhavam ao sol que entrava ali.
-Acho que este é o único sítio daqui, onde entra o sol.
-Pois, a floresta é muito grande e as árvores são tão grandes que tapam praticamente tudo – disse a Aby.
-Sim, da última vez que cá estive, encontramos lobisomens pelo caminho Aby. Acho que devemos ter muito cuidado…
-Não me digas – sorriu-me ela irónica – eu consigo resolver o assunto. Além disso viste como sou rápida.
Abanei a cabeça.
-Pois vi.
-Doutra vez estiveste aqui? Quando o Brandon te foi procurar?
-Sim.
-Hum, e então? O que há entre vocês os dois? Já há muito tempo que não falamos sobre estes assuntos.
-Não me apetece falar sobre isso – digo, mexendo na água.  Os peixes assustam-se.
-Ah, não vais conseguir mudar de assunto minha querida. Conta lá. – abanou-me ela.
-Nada de especial. Nada de parecido com o que tens tu com o Nigel – encolhi os ombros.
-Oh, vocês só se conhecem por aí a dois dias. Acho que é normal. Mas ele gosta mesmo de ti, só não sabe como dizer-to. Aliás, vocês se beijaram, deve ter algum significado certo?
-Acho que sim. Acho que também gosto dele. Mas sabes como sou, não vou ser eu primeira a dizer.
-Oh, podes ter a certeza que ele também não o vai fazer.
Levanta-se e dá uma volta a observar melhor as coisas.
Baixei os olhos. Devo perguntar-lhe porque eles levaram-na e o que queriam dela? Hum.
-Olha, Aby, o que queriam eles de ti?
-Quem?
-Eles, tu sabes. É a segunda vez que apareceram.
-Eles estão a procura da guardiã do poder. Vão fazer um teste, depois matam-na. Porque ela é a tal última herdeira do trono, que querem ver morta.
-Então é melhor ser-mos nós a encontrá-la primeiro, não quero que ninguém morra. – Afirmo.
-Sim, será melhor – olha para mim.
-Agora como? – sorrio. – é tão complicado como beijar o Alex Pettyfer na realidade. A Aby deita-se na relva macia e começa a rir-se que nem uma louca, eu sem resistir também começo a rir-me.
-Beijar o Alex? Hum. – fez ar de pensativa – sabes? Um dia deste vamos mesmo de ir a Hollywood para beijá-lo.
Ri-me.
-Hum, era mesmo bom – digo com um ar sonhador?
-Bom? Seria maravilhoso, mas para mim. Tu ainda nem o Brandon como deve ser beijaste!
Dirigo-lhe um olhar de “vai passear” e ela começa a rir-se.
-Olha, já devemos voltar, são oito horas de tarde já.
-Hum, pode ser. Mas desta vez não me apertes tanto, eu não quero morrer com falta de ar.
Semicerrei os olhos e sorri.
-Pois claro. Obrigadinha. Foi a primeira vez, por isso tá calada.
-‘Tá bem – risse ela e transforma-se.
Subi novamente as costas dela, e desta vez abracei o pescoço peludo com um certo cuidado, ela tinha razão, tinha-a apertado um pouquito demais.
Chegamos a casa as oito e dez. Era impossível, mas pronto. Tudo o que eu achava impossível estava ao meu lado. A minha melhor amiga ser uma lobisomem.
-Vais agora fazer as malas?
-Sim, vou, depois vou dormir, que já não durmo a um dia. – Digo, bocejando.
Entramos em casa, a Aby foi ter a sala onde o Brandon e o Nigel estavam a ver a televisão. Um filme qualquer. Acho que era I am number four. Com o Alex Pettyfer na personagem principal. Já o vi duas vezes, por isso subi silenciosamente as escadas entrando no meu quarto. Tirei do armário dois pares de calças de ganga, dói casacos, uma camisa e por aí umas 4 t-shirts e 2 tops. Acho que aquilo bastava. Arrumei tudo numa mala, meti umas sapatilhas pretas e brancas e mais algumas coisas para a higiene.
Estava tão cansada que resolvi tomar um banho de emersão. Olhei para as unhas que já praticamente nem tinham verniz. Ainda nem sei como a Aby não me ralhou, era ela que costumava a obrigar-me pintá-las. Enchi a banheira, depois meti para aquilo ficar cheio de espuma. Entrei lá dentro suspirando. Precisava de ter feito isto há muito mais tempo. Depois de sair, enrolei-me outra vez na toalha e fui buscar um verniz. Optei por um prateado. Pintei as unhas das mãos e dos pés e saí da casa de banho.
-AH! – corri novamente para dentro fechando a porta.
-Brandon! Que fazes aqui dentro? – pergunto surpreendida.
-Vim aqui falar contigo. Não vais sair?
-Hum, acho que não, pelo menos vira-te que eu saio para buscar a roupa está bem?
-Está bem.
-Não olhas de certeza?
-Não. Palavra imortal.
Aquilo soou-me bem. Saí novamente correndo para a cama, para buscar o pijama. Uns calções e uma camisola de alças.
-Já está. – digo, acabando de me vestir.
Ele sorri.
-Estás bonita, como sempre.
-Não gozes tá bem? Tou de pijama, o que pode haver de bonito nisso? – pergunto. Porque eu estava assim com ele? Ele elogiou-me e eu a responder-lhe daquela maneira. Ele olhou para mim, ao fim de alguns segundos encolheu os ombros e aproximou-se.
Fiquei pregada ao chão. Pela janela entrava um brisa fresca, que levantava o meu cabelo praticamente seco. Ele tomou a minha cara nas mãos e levantou-me o queixo.
-Até assim tu estas bonita – sussurou-me e deu-me um beijo.
Rodeei o pescoço dele, passando a minha mão pelo cabelo lindo e fofo dela. Os seus lábios deixaram os meus e subiram pela cara até a minha orelha.
-Amo-te.
Aquilo deixou-me sem palavras. Voltei a beijá-lo. Entreguei-me aquele beijo. Tinha um namorado perdido de bom. Claro não era só isso que eu gostava nele. Para falar a verdade gostava de tudo nele.
Puxei-o mais para mim. Andei um pouco para trás caindo com ele para a cama. Ele olhou para mim e afastou uma madeixa do meu cabelo. Devolvi-lhe o olhar a sorrir e voltei a beijá-lo. Fazia-me impressão olhar a alguém nos olhos. Ele beijou-me o pescoço. Passei as minhas mãos pelas costas perfeitamente musculadas dele. Eu queria fazer aquilo? Quer dizer ainda nem fizemos nada. Mas não. Definitivamente ainda não queria. Mas também não queria acabar agora. Só mais um bocadinho iria tirar o máximo partido daquilo. Tirei-lhe a t-shirt continuando a beijá-lo.
Abri os olhos e arrepiei-me com o que vi. O Brandon não ligou, continuou a beijar-me. Entre os cortinados que esvoaçavam ao vento estava o rapaz. Que me olhava novamente com os olhos gelados e todo vestido de preto. Abracei ainda mais o Brandon, o rapaz sorriu e desapareceu.
Afastei o Brandon que me olhou sem perceber nada.
-O que foi?
Olhei-o. O cabelo estava despenteado. Estava tão querido que deu-me vontade de sorrir.
-Nada. Ficas aqui está noite? Mas nada de mais. Nada de errado – acrescentei rapidamente e brindei-o com o meu melhor sorriso. Pelo menos era o que todos achavam.
Ele sorriu. Graças a deus.
-Vou dormir agora – avisei-o – se quiseres podes ir ver tv ou algo de género, mas depois volta.
-Ahaha, não, eu fico a dormir agora. Também estou cançado – sorriu-me.
Retribui-lhe o sorriso, desliguei a luz e deitei-me no peito dele. Ele abraçou-me e eu adormeci.
Estou num vazio, rodeado por nevoeiro, não consigo ver completamente nada, oiço um barulho e viro-me.
O rapaz de olhos azuis fita-me curiosamente. Aquilo não podia continuar assim, ganhei coragem.
-O que queres de mim? Desaparece! – gritei-lhe, mas ele só se riu.
-Quem és? – mais uma tentativa, mas nem obtive resposta – lindo, perfeito, pelo menos sabes falar?
Na cara apareceu mais uma vez o sorriso malandro e arrepiante.
-Christian.
-Christian? – repeti – oh, então sabes falar. Espectáculo – disse irónica.
Ele sorriu.
-Hum, que resmungona!
-Olha quem fala. Quer dizer, o que queres de mim? És aquele que me quase matou!
-Não sabias que eras assim. – olhou-me dos pés a cabeça.
-Assim como? – resmunguei cruzando os braços no peito.
Ele riu.
-Oh, ainda te ris. Não sabes fazer mais nada?
-Ahaha saber até sei. Muita coisa.
Olhei para ele. Dos pés a cabeça também. Hum. Para ser sincera ele era lindo.
-Então? Gostas?
Afastei os pensamentos daquela beleza fria e letal. Levantei as sobrancelhas.
-E tu um pouco convencido, não achas?
-Hum – resmungou.
-Onde estou?
-Num campo.
-Campo? Nevoeiro? Não podias ter criado um sonho melhor? Sei lá! Precisava de descansar, um prado, uma lua cheia gigante e relva linda era mesmo bom.
Ele riu-se.
-Relva? Prado? Lua cheia? Tu és o que? Acho que lês demasiados contos de fadas.
Oh! Ainda ninguém me disse aquilo, em todos os anos que vivi. Estúpido. Aquilo irritou-me tanto, que tive que fazer um esforço enorme para não lhe responder de um modo desagradável.
-Então e não podes pelo menos sair do sonho? Ficaria mais agradável. Aliás muito mais. – resmunguei.
-Pensei que te agradava ficares com um rapaz ao lado.
O que? Ele me disse isso?
-Para a tua informação eu gosto dele. E porque eu tou aqui a falar contigo? Eu quero descansar. Quero dormir. Desaparece!
Ele sorriu, voltou costas e desapareceu. O nevoeiro desapareceu também. No lugar disso apareceu um prado, com relva verde até aos joelhos e uma lua cheia que lançava uma luz prateada sobre tudo. Que visão fantástica. Reparei numa coisa prateada que estava na relva. Era uma espécie de pulseira. Era prateada, e tinha desenhos abstractos que tinham tipo letras e alguns desenhos despercebidos. Sorri e meti a pulseira na mão esquerda. Senti-me estranha, pareceu que encontrei a outra parte de mim. Hum, pelo menos melhorou bastante o meu sonho. Tinha uma aparência muito rebelde, parecia cínico e muito malandro mesmo, mas mesmo assim, tinha algo de bom. Pelo menos pareceu. Abri os olhos. Estava deitada no peito do Brandon. Voltei a fechá-los e adormeci.