quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Capítulo 25

Elizabeth




O meu quarto estava iluminado pelos raios de sol, que entravam pelas janelas do meu quarto. Espreguicei-me e rebolei na cama estranhamente feliz. Fui a varanda e observei a paisagem linda da parte de trás daquela casa gigante. O jardim estava ainda mais verde do que pela primeira vez que o vi, pela primeira vez gostei daquela paisagem assim. Desta vez quis ir ter com o Brandon primeiro que ele. Espero que ele ainda não esteja acordado. Tentei lembrar-me de como fui parar a cama, pois tinha adormecido no ombro do Christian, agora como e porque é que não sabia. Não me lembrava de grande coisa, só que tínhamos falado e que tinha adormecido, mas de qualquer maneira ainda bem que ninguém me viu, e que acordei não com ele mas sim na minha cama.
Fui vestir-me, penteei o cabelo e saí silenciosamente do quarto em direcção ao do Brandon. Entreabri com cuidado a porta e entrei em silêncio. Ele ainda estava a dormir e com aquele ar tão fofo. Avancei até a cama dele e sentei-me lá a observá-lo um longo período de tempo. Ele mexeu-se e abriu os olhos olhando-me sem acreditar muito bem no que via.
-Elizabeth? Que fazes aqui? – Perguntou esfregando os olhos.
-Que simpático ah… eu aqui, a querer dizer-lhe bom dia, e tu a falares assim. Obrigadinha. – Disse virando-me e cruzando os braços no peito.
Ele aproximou a boca do meu ouvido e sussurou-me:
-Desculpa amor, nem sabes o quão estou feliz por tares aqui comigo.
Sorri-lhe e abracei-o beijando-o.
-é hoje que vamos procurar o tal portal? – Pergunto.
-Sim, mas não é agora. – Beija-me.
Afasto-me e meto as mãos na cara dele a sorrir.
-Todos já estão acordados, por isso, tu também levanta-te e vamos tomar o pequeno-almoço.
Ele risse.
-Qual é a piada? – pergunto levantando uma sobrancelha e fazendo cara de admirada – porque é tão difícil tirar-te da cama? – pergunto levantando-me. Vou até a janela e afasto os cortinados de modo com que o quarto fique todo iluminado pela luz diurna.
-Hum – resmunga o Brandon e deita-se na cama.
Aquilo deu-me vontade de rir.
-Hum nada. Anda lá. – Pego-lhe no braço, mas ele puxa-me e eu caio em cima dele.
-Só mais uns minutos.
Olho para ele.
-Só mais um pouco, vá lá. – Fez beicinho, oh, tão lindo, e tão fofo com aquele ar, que nem resisti.
Beijei-o, passando as minhas mãos pelo peito dele, que pela enésima vez, era perfeito, fogo, se eu tivesse um corpo em tão bom estado era mesmo bom.
O cabelo dele era macio e a forma com que ele me beijava, a forma como os lábios dele colavam-se aos meus era do outro mundo.
Interrompi o beijo, pestanejando, com medo que as coisas não ficariam por ali. Ele olhou para mim e esboçou um sorriso maravilhoso.
-Eu percebo – disse – não farei nada do que ainda não queiras – assegurou-me.
Uffa, aquilo acalmava. Ainda bem que tinha um namorado tão compreensivo. Em resposta sorri-lhe e dei-lhe um beijo.
-Eu sei que percebes. Amo-te – sussurei-lhe contra os lábios.
Depois de uns bons minutos passados na cama com o Brandon lá o obriguei a sair e ir vestir-se. Enquanto isso, dei uma volta pelo quarto e passando as minhas mãos pelas coisas dele e da Layla, que afinal, tinha vivido lá antes, simplesmente quis que o Brandon ficasse cá. Se calhar não contava que ele ia aparecer comigo e com a Aby.
Uma coisa me chamou a atenção. A gaveta estava entreaberta e a foto da Layla sorridente notava-se um pouco. Olhei para a porta da casa de banho que estava fechada, a água ainda estava a correr, por isso o Brandon não ia sair agora. Tirei a foto.
Nela estava a Layla, com um sorriso bonito e com uns olhos que brilhavam e que transmitiam felicidade que me pareceu contagiosa, ao lado estava o Brandon a abraça-la igualmente feliz. Abri a gaveta ainda mais, procurando mais alguma coisa. Encontrei mais uma foto, desta vez a preto e branco, com a Layla de cabelo encaracolado solto, mas muito bem apanhado no cimo da cabeça, com um vestido que me pareceu talvez do século XVIII ou XIX, era elegante, ao lado em pé estava o Brandon, um verdadeiro homem, belo, feliz e sério. Ambos sorriam. Toda a felicidade que eu tinha até ver aquilo, desapareceu e deu lugar a uma mágoa e ciúme. Eles foram felizes. Nunca vi o Brandon daquela maneira. E ela também estava muito diferente comparada com aquilo que parece agora.
Ouvi a água ser desligada, arrumei apressadamente as fotos no lugar e fui até a janela.
Não devia sentir aquilo. Foi um passado, foram páginas de um livro, de uma história que eles passaram juntos, e que é lógico que não podem esquecer.
Acho que não era justo eu estar com cenas de ciúmes. O que foi, já foi, estou a viver no presente, por isso, tenho que esquecer, a Alyson e a Aby dizem que ele me ama a 100%, e eu acredito nelas.
Respirei fundo e virei-me. O cabelo dele estava molhado e caía tão lindamente sobre o rosto que quase sorri, quase.
-Vamos? – perguntei.
Ele aproximou-se de mim e abraçou-me pela cintura.
-Já? – perguntou beijando-me o pescoço.
Ri-me.
-O tempo que ficamos a mais não te chegou? – pergunto.
Os lábios dele chegam ao meu ouvido.
-Não te vou responder a isso – sussurou.
-Porque? – perguntei intrigada.
Mas ele nem ligou.
-Queres saber o maior dos meus orgulhos e segredos? – perguntou contra os meus lábios.
-Quero - sussurei curiosa.
-O meu maior orgulho é dizer que te amo, e ter-te ao meu lado, a partir de agora já não é segredo – disse beijando-me.
Oh, aquilo comoveu-me. Não tinha mais dúvidas que ele me amava.
-Desculpem!
O nosso beijo foi interrompido por uma voz fina e bonita. A Aby virou-se para não nos ver. Eu olhei para o Brandon e sorri.
Depois virou-se outra vez para nós a sorrir. Sabia que ela tinha feito aquilo de propósito mas não pude dizer nada.
-Até aqui fazem o mesmo? – perguntou, andando a nossa volta, com a mão no queixo e observando-nos de cima a baixo. – Daqui a pouco vamos procurar o raio do portal, e vocês ainda aqui. – resmungou.
Troquei um olhar com o Brandon.
-Estamos já indo – disse, encolhendo os ombros.
Ela olhou para mim, depois para o Brandon, depois outra vez para mim, e abriu muito os olhos tapando logo a seguir a boca. Estava a conter-se para não se rir.
Afastei-me do Brandon rapidamente e lancei um olhar zangado a Aby.
-Vamos – disse-lhe.
Ele saiu porta fora e eu fui atrás com a Aby a morrer do ataque de riso ao meu lado.
-Oh meu deus! O que fizeram? Quero saber tudo, tudinho. Do mais pequeno pormenor, estás a ouvir-me? – perguntava ela, fazendo uma voz tão fina, mas bonita.
-Não aconteceu nada de especial - sorri-lhe.
-Ah pois não! – resmungou – acredito.
-Ainda bem – digo.
Ela resmunga alguma coisa que eu não percebi.
-E já agora. Porque tens que interromper-nos sempre quando estamos juntos? Já nem tenho privacidade. Eu nunca te fiz uma coisa destas quando estas com o Nigel – resmungo também, sabendo que desta vez tenho toda a razão e ela não me poderá dizer nada.
-Ah, pois claro. Tu tens demasiada vergonha e és demasiado bem educada para interromperes ou fazeres algo de errado – sorri-me.
Revirei os olhos. Até aí encontrou uma resposta.
-Tu também devias ser um pouco mais, não achas? – perguntei.
Ela abanou a cabeça e correu para os braços do Nigel. Nem reparei que tínhamos chegado a sala.
O Brandon já estava a mesa e tinha uma cadeira vazia reservada para mim ao lado dele. A Layla e a Hannah estavam com um aspecto sonolento, mas mesmo assim continuavam a ser deslumbrantes.
A Alyson, mal estava sentada a mesa, a rapariga parecia um sonâmbulo, mas mesmo assim acenou-me e sorriu. Sorri-lhe também. Fui ter até ao Brandon e sentei-me ao lado dele.
-Quando é que vamos então? – perguntou a Aby.
-Depois do pequeno almoço – respondeu a Hannah.
-Uff, vamos precisar de andar muito? – perguntou.
-Claro que não. Vamos de carro, e também não é muito longe – encolheu os ombros o Brandon.
-Quem é que vai conduzir – perguntei.
-Eu! – disse com orgulho o Brandon.
Oh, pronto, então já tá tudo resolvido, é lógico que não íamos demorar muito, tendo em conta com que velocidade o Brandon entra.
-Ah – disse, bebendo o meu café.
O pequeno-almoço passou num instante, quase nem reparei. Como até ia bastante gente, num carro não cabíamos todos, por isso a Layla, Hannah, Alyson e mais dois rapazes foram num lindo BMW e eu, mais o Nigel, Brandon e Aby fomos no nosso Jeep. Quer dizer, não era nosso, era do Nigel.
Como me disse, foi o Brandon a conduzir, chegamos a primeira estação em meia hora. Não sabia bem o nome daquilo, mas tinha sensações estranhas. Estava ansiosa para acontecer sei lá o que.
Saímos do carro e dirigimo-nos ao longo do caminho-de-ferro. Não havia lá gente, conclui que já não funcionava a muito, pois as paredes estavam todas descascadas e as janelas todas partidas.
-Vamos dividir-nos. – mandou o Brandon – Aby, Alyson, Paul e Liz venham por aqui, o resto vem comigo.
Fizemos o que ele mandou sem resmungar. Enquanto a Aby e o resto observavam a parede a alguns passos de mim, eu fui guiada por uma sensação até ao outro lado. Estava tudo vazio, os papéis voavam pelo chão, pois naquela parte, estranhamente fazia muito vento e que me gelava os ossos. Na parede estava algo escrito que me provocou tonturas. Agarrei-me a cabeça e chamei pelo Brandon. Sobressaltei-me ao reparar que ele já estava a segurar-me pela cintura.
-Olha para isto – sussurei.
Ele olhou. A Aby e o resto já estavam a minha volta.
-O que é isto? – perguntou apontando o dedo.
-Não consigo ler isso – respondeu o Nigel. Tudo o resto abanou a cabeça em sinal negativo.
Esforcei-me para tentar ler. As letras saíram dos sítios e eu quase caí. A minha frente abriu-se uma coisa branca brilhante.
-Liz? Está bem? O que disses-te? – perguntou-me  o Brandon.
Reparei que estava sentada no chão e ele ajoelhado ao pé de mim.
-Não disse nada – respondi – porque? O que é isto? – perguntei olhando para aquilo. As torturas já me passaram.
-É o portal Liz. Tu leste o que estava escrito. Percebeste isso? – perguntou-me o Nigel.
Abanei a cabeça a dizer não. Eu tinha dito alguma coisa?
-Vamos agora? – perguntou a Hannah.
-Acho que é melhor não. Descobrimos o portal. É o que interessa. Voltamos aqui a noite. A Liz está mal, precisa de descansar – disse o Brandon, beijando-me a testa.
Sorri. Levantei-me e fui com a ajuda do Brandon até ao carro.

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