Elizabeth
Estava no quarto da Aby, que com paciência explicava o facto do porque eu ir a Londres tão espontaneamente, a minha mãe. Ela estava a passar-se e eu também. Primeiro fui eu que tive quinze minutos para lhe explicar, agora mais meia hora com a Aby.
-Toma – sussurou ela e passou-me o telemóvel.
-Mãe?
-Sim, eu deixo-te ir a Londres, mas porta-te muito bem está bem? Nada de festas e outras coisas, quando chegares lá liga-me ou manda-me um toque, escusas de gastar dinheiro.
-Está bem. Obrigada. Beijinhos e vou fazer o que disses-te, vou ter muitas saudades vossas adoro-te. – Desliguei e meti o telemóvel na mesinha de cabeceira.
-A tua mãe é mesmo desconfiada – gozou comigo a Aby.
-É como todas as outras – resmunguei – o que interessa é que ela deixou – concluo com um sorriso.
Ela riu-se.
-Levanta-te daí, e vamos falar com os rapazes, eles já devem ter planeado a viagem – pegou-me na mão e saiu do quarto comigo atrás.
Na sala, quer o Brandon quer o Nigel estavam debruçados e mesmo muito concentrados a estudar uma coisa qualquer. Ao aproximar-me vi que estavam a estudar um mapa, pelos nomes era a planta da cidade de Londres.
-Novidade? – perguntou a Aby sentando-se ao lado do Nigel.
-Nada de especial, tendo em conta que vamos ter de visitar pelo menos duas estações de comboios, aqui – apontou com o dedo o Brandon – e aqui.
Olhei para os sítios, algo me dizia que era o segundo lugar.
-Acho que basta ir-mos a esta. – encolhi os ombros e encostei-me ao sofá.
-Porque? – perguntou desconfiado o Nigel.
-Porque acho que é ali, não sei, algo me diz que sim. – encolhi novamente os ombros. Ele fez um ar pensativo.
-Ei, Nigel, se a minha melhor amiga o diz, é porque está certo, e nada de desconfiar, basta ir a uma, porque eu ainda quero visitar muitos locais lá, por isso…
-Hum, já fizeram as malas?
-Oh! Claro que já, pelo menos eu arrumei as minhas.
Dei uma palmada na minha testa. Tinha-me esquecido completamente.
-Eu sabia! – apontou para mim o dedo – nunca fazes as coisas como deve ser, mas eu ajudo-te, nunca tens muito para arrumar, por isso é na paz.
-Obrigadinha – resmunguei. Aquilo foi uma indireta bem direta, nunca tinha muito para arrumar, hum, até tenho bastante, tendo em conta a roupa que ela me comprou neste s últimos três dias. Mas mesmo assim, também não vou levar grande coisa.
-Vamos viver num hotel? – perguntei.
-Se for só poderá ser de cinco estrelas – afirmou a Aby olhando para o Nigel.
-Não linda, vamos viver na casa de um amigo do Brandon.
-Vamos? – inquiri – que amigo é esse?
O Brandon sorriu-me com um sorriso perfeito.
-Digamos assim, já é muito velho, e não é bem em Londres que vamos ficar, é lá perto.
-Que linda resposta, mas pronto, “já é muito velho”, hum… - roubou-me as palavras da boca a Aby – espera, não é bem em Londres? Que queres dizer tu com isso?
-A casa não fica bem em Londres, fica uns quilómetros a oeste de Londres, não é muito longe da estação, por isso não teremos grandes problemas.
-Hum, está bem então. Querido – virou-se para o Nigel – vou ver se me consigo transformar, e vou dar uma voltinha pelo terreno da casa, porque para ser sincera, quero ter mesmo a certeza, se aquilo que eles me injectaram não me prejudicou. Liz? Vens comigo?
-Claro que vou – respondi – vamos agora?
-Sim! Anda!
Lancei um olhar ao Nigel e encolhi os ombros. Que havia de fazer? Ela era mesmo assim.
-Tenham cuidado!
-Está bem! – gritou a Aby, por cima do ombro.
Ela correu louca por entre os arbustos e um monte de flores, saltando de banco em banco, como um coelho muito fofinho. O último salto foi a transformação.
Quatro enormes patas pisaram o chão. A cabeça gigante e peluda virou-se para mim. Os olhos cor de ouro brilhavam com emoção. Ela gostava de ser uma loba, gostava mesmo. A primeira vez que a tinha visto nesse estado, tinha ficado zangada e um pouco apavorada. Desta vez era diferente. Fiquei maravilhada com o que vi.
O lobo tinha traços femininos marcantes, que de alguma maneira dava para distinguir que era uma loba. Uma boca entreaberta, que lhe mostrava os caninos muito brancos. Parecia que ela sorria.
Uma viagem?
Sobressaltei-me ao ouvir a voz dela na minha cabeça.
-Como? – perguntei sorrindo que nem uma estúpida.
Oh! Vá lá! As cavalitas, é lógico. Não és pesada. Neste estado consigo levar o peso que quiser!
Ela avançou para mim e deitou-se no chão para eu subir.
Mexi no pêlo fofo dela e sorri como uma criança.
Sempre quis ter um peluche destes. Neste caso aquele era lindo, perfeito e mais que tudo era real!
Sobe! ‘taz a espera de que?
-Deixa de resmungar! Estou a apreciar o momento!
Ela sacudiu a cabeça como se estivesse a rir de mim. Meti a minha mão no focinho dela.
-Cala-te e não gozes. Até nessa forma te ris de mim. Que injustiça.
Como? Tens que ver a tua cara! Tinha que ter aqui um espelho. Pareces uma criança que viu algo saído do conto de fadas.
Não liguei a aquilo e subi para as costas dela.
-Heheh, que fixe! – pensei.
O corpo pesado levantou-se do chão.
Tinha tantas saudadinhas disto. Liz, vamos para a floresta? Há lá um sítio muito bonito com uma cascata no meio. Qures?
-Não vamos demorar muito? Daqui a algumas horas vai escurecer e da última vez que lá estive, demorei a chegar.
Ela abanou outra vez a cabeça e como se não bastasse também se riu na minha mente.
Não te esqueças que eu sou uma loba. E tu foste a floresta nas tuas duas pernas boazonas. Por isso basta dizeres queres ou não. Prometo a tua segurança.
-Claro que quero! – disse. Não tinha dúvidas.
Ora bem. Então segura-te muito bem, mas mesmo muito, muito bem e respira com intervalos grande está bem?
-Sim – afirmei abraçando a cabeça gigante e peluda dela e meti a minha no pescoço dela.
Iupiiiii Cá vamos nós
Soltei um gritinho e abracei ainda mais o pescoço, quando tudo a minha volta ficou destorcido e tudo uma mistura de cores.
Então? Já não sou assim tão assustadora pois não?
Consegui balbuciar um “não”, contra os pelos dela. Passados pelo menos cinco minutos ela parou e eu abri os olhos espantada saindo cuidadosamente das costas dela.
-OMG! Já chegamos?
Sim já
Olhei a minha volta a observar o sítio e a árvore da qual caí e o Brandon me apanhou. Sorri para comigo.
-Isto é maravilhoso.
A voz que soou, já não era em minha cabeça, virei-me e vi a Aby toda contente e satisfeita a olhar também pelos lados a observar o sítio.
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