Aby
Não acreditei no que vi.
Entrei numa sala gigante, que era digamos assim o triplo do meu quarto, por isso imaginem. A minha frente estava uma mesa gigantesca também, que pelo que me pareceu tinha cerca de 5 metros de comprimento e 2 de largura. Na mesa estavam os mais variados tipo de comida, ao olhar para aquilo, ganhei água na boca, a última vez que comi foi ao almoço. A mesa nem sequer estava cheia, pelo que não percebi para que aquele cenário todo, se me queriam matar.
-Boa Noite. – sorriu-me uma mulher e fez sinal para eu me aproximar.
Avancei devagarinho, uma empregada afastou a cadeira para eu me sentar.
Sorri-lhe. O lugar que me tinham preparado ficava no outro oposto da mesa, de modo eu a ficar mesmo a frente do rei e rainha e ao mesmo tempo longe deles. Será que eram mesmo reis? Hum. Isso dava que pensar.
-Chegaste atrasada – falou-me a rapariga de a bocado. Lancei-lhe um olhar reprovador, e observei-a, ela também mudou de roupa, para um vestido, um pouco mais longo e preto. Ela brindou-me com um sorriso que maléfico que lhe mostrou os dentes aguçados e extremamente brancos. Eu também lhe fiz um sorriso, o do tipo mais sarcástico que tinha.
-Peço desculpa, tinha que limpar o sangue, e tive que mandar para o lixo o novo top que custa um monte de dinheiro novinho em folha, e tudo por culpa vossa – disse, olhando com um olhar de anjo para a rapariga.
-Oh, queres que te peça desculpa? – perguntou-me ela.
-Sim, quero.
-Não queres mais nada – respondeu-me ela.
-Chega! – a voz sobressaltou-me. O homem que falou era o tal rei, a voz era grave, ele não parecia ter mais de trinta anos, o que não me admirou, afinal eu também iria ter os meus dezoito para sempre, quando chegasse a essa idade. Se alguma vez chegasse claro. Tinham planos para mim.
A rapariga virou-se para o homem, baixou os olhos e curvou a cabeça com um pedido de desculpas.
-Abygaill.
Olhei para ele ao ouvir o meu nome. Como sabia?
-É um prazer ter a herdeira, filha do meu irmão, aqui a mesa, e saber que ela está viva.
A última palavra provocou-me arrepios.
-Prazer é todo meu. – Disse cínica, eram as palavras preferidas da Liz. Gostava de saber como ela estava…
-Não comes nada? – perguntou.
-Não tem veneno?
Eles sorriram.
-Claro que não.
Olhei desconfiada para a comida. Ora bem. Não me iam matar já, não era? Se não já estaria morta há muito tempo, para além de mais, estava com tanta fome. Peguei no garfo e na faca e tirei um pedaço de carne para provar. Era saboroso. Comecei a comer. Bebi um gole de…esperem. Vinho? Só agora é que reparei, que a mesa estava com vinho tinto, a rapariga também tinha um copo cheio.
-Porque me trouxeram para aqui? – Perguntei, parando de comer. Já matei a fome. Aquilo bastou-me.
-Não te sentes bem no teu mundo? – Perguntou-me o homem, fazendo cara de admirado.
Olhei para ele em tom de gozo.
-Que eu saiba este mundo já não é meu a muito tempo.
Ele olhou para mim com um sorriso estúpido na cara, depois volto-se para a tal Adomenteia.
-O meu filho onde está? Não vai aparecer a mesa?
-Não senhor. Hoje ele não está.
-Hum. Interessante. Parece que não vais conhece-lo hoje querida.
-Ainda bem – respondi-lhe encostando-me a cadeira e cruzando os braços no peito.
Ele levantou-se da mesa.
-Anda – fez-me sinal para segui-lo.
Ainda pensei não obedecer mas lá teve que ser.
Segui-o. Quando saímos para fora, vi aquilo que parecia uma cidade enorme, cheia de luzes a brilhar. Voltei-me para trás. Aquilo não era uma casa. Era um palácio. Oh meu deus. Eles eram mesmo ricos. O palácio era ao pé de uma floresta, avancei atrás deles por entre as árvores, a olhar pelos lados. As árvores eram altas e bonitas, o céu estava azul escoro limpo cheio de estrelas. Devia ser fixe viver num mundo onde não existisse luz. Acordar tarde, sem os raios de sol irritantes chatearem-te. Pelo que me pareceu fazia calor, apesar de ter deixado de sentir frio há muito, muito tempo, mas mesmo assim.
Paramos no meio da floresta, onde estava uma espécie de templo, mas sem tecto, as rochas estavam esculpidas em forma de sete dragões e no meio estava um tigre. Mais a baixo estava tipo uma mesa. Nela havia uma vela, um pedaço de rocha, gelo que estava a derreter-se e mais umas coisas quais queres.
-Vem cá. – mandou-me ele e eu obedeci.
-Para que? – perguntei a olhar para aquilo.
-Faz qualquer coisa com isto. Faz algo está bem?
Olhei para ele com uma sobrancelha levantada, depois fechei os olhos. Ora bem. Se ele queria magia, eu não a possuía. Mas era só para acabar o mais rápido possível com aquilo.
Estendi as mãos a minha frente e concentrei-me. Fiquei assim cinco minutos por aí. O homem agarrou-me pelos ombros claramente zangado e olhou-me nos olhos.
-Não és tu – sussurou. Empurrou-me de modo eu cair no chão. Levantei-me rapidamente.
-Oiça lá. Voce pode ser um rei aqui, ou sei lá que mais. Mas a mim não trata desta maneira, ouviu? Eu não sou sua empregada ou outra coisa qualquer, por isso é melhor ter respeito.
Eu já me sentia melhor. Mais confiante. Parece que aquilo que eles me injectaram desapareceu do meu organismo. Agora podia-me transformar.
Mas mesmo de eu acabar de dizer essas palavras. Agarrei a cabeça com as mãos. A dor que me invadiu era terrível. Os meus joelhos cederam e eu caí ao chão.
-Já chega – disse o homem.
Estava de tal modo zangado que abri a boca a mostrar os dentes que apareceram. Pela espressão da Adomenteia os meus olhos também mudaram, mas para além dela ninguém mais mudou da expressão. A dor que me invadiu desta vez era ainda pior, os olhos da vampira estavam semicerrados, pelo que percebi ela estava totalmente concentrada em mim.
-Parem! – pedi, não aguentava mais aquilo.
O homem fez sinal para a rapariga. Essa parou. Iria matá-la quando a dor parasse. Juro! Ele abaixou-se e disse-me ao ouvido.
-Aqui não és tu que mandas. Tudo aqui é meu. Ao jantar disses-te muito bem. Este mundo já há muito tempo não é teu. Tu não és aquela de quem eu estou a procura. Vou te deixar viver, pelo menos aqui neste mundo hoje não morrerás. Vais voltar a Terra. E prometo, não te vou perturbar mais, só se tu fizeres o mesmo.
Agarrou-me na cabeça e olhou-me nos olhos. Os olhos metálicos invadiram-me de medo e eu senti os olhos a fecharem-se. OMG! O que ele estava a fazer?
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