segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Capítulo 3

Elizabet


Oiço vozes a minha volta, que me são até bastante familiares, sem perceber totalmente o que aconteceu comigo, tinha uma dor horrível na cabeça, só me lembrava de estar-mos cheias de medo, depois eu tropecei e caí. Sem me atrever de abrir os olhos, continuei a ouvir a conversa.
-Ela vai ficar bem? - Perguntou uma voz feminina.
-Sim, acordará em breve, teve muita sorte, que a pedra estava coberta com bastante musgo, o que lhe suavizou a queda.
-Espero bem que sim, não aguentaria perde-la, por nada neste mundo - disse a rapariga, numa voz bastante triste, só depois é que lembrei-me de quem era. A Aby estava ao pé de mim, ela estava bem, que alívio, até suspirei baixinho. Resolvi abrir os olhos.
-Liz, meu deus Liz, finalmente, estava preocupadíssima contigo - abraçou-me.
Devolvi-lhe o abraço e olhei para os dois rapazes que estavam sentados ao pé da cama, era o Nigel, namorado da Aby e o Brandon. Vi panos e água com sangue, deviam ter tratado de mim. Perdi assim tanto sangue? Seria possível?
-Eu estou bem, a cabeça ainda dói-me um bocadinho, mas estou bem -largo-a e sorrio para ela, depois olho para o Nigel e pergunto:
-Olá, onde estou?
-Estás em minha casa - diz ele a sorrir, o olhar dele estava preocupado, tal como o do Brandon e o da Aby, mas eu não conseguia perceber porque, não estava a beira da morte, nem estava gravemente ferida, havia qualquer coisa de errado comigo? Também não sei.
Depois passei o olhar pelo quarto, era como a sala e a cozinha juntas lá da minha casa, traduzindo, aquilo era enorme, maior que o quarto da Aby. Era um estilo bastante giro, a cama na qual estava deitada era grande, a minha frente tinha uma janela, que dava para a varanda, mais ao lado tinha um sofá e uma televisão de ecrã plano a frente, na mesinha entre o sofá e a televisão estava um portátil Apple. A sério acreditem, eu já tinha chegado a conclusão que o Nigel era rico, há muito tempo, mas desta maneira...estou completamente sem palavras...
-O que aconteceu Aby? - Pergunto, ela levanta os olhos, e vejo-lhe uma centelha de culpa?
-Ficamos bêbadas, toda a gente já se tinha ido embora, nós resolvemos brincar um bocadinho, desenhamos um pentagrama e a meia-noite chamamos os vampiros, de início, nada aconteceu, mas depois...eles apareceram, primeiro não percebemos muito bem, e pensamos que eram alucinações, mas depois, eles avançaram, e o seu jantar éramos nós, ou mais concretamente eras tu. Caíste, mas o Brandon e o Nigel apareceram a tempo de nos salvar.
Ponho a mão na cabeça, tentando digerir aquela informação toda. Então eles realmente existem? Tudo o que andei a ler, naquilo que parcialmente acreditava existia na realidade? Então porque resolveram aparecer naquele dia em específico? Duvido muito que seja por nós os ter-mos chamado. Tentando lembrar-me do que li na Net, lá dizia, que os vampiros são seres superiores, não prestam atenção aos humanos, á não ser para aproveitar-se deles. Mas não foi isso que eles tinham feito, apareceram lá, porque os tínhamos convocado, não era?
-Qual é a garantia de eles não aparecerem aqui, ou andarem pela cidade a matar gente inocente? - Pergunto finalmente, interrompendo os meus devaneios mentais.
-Os que apareceram lá, estão mortos, quanto a aqueles que andam entre nós, não sei, aqui nenhum vampiro pode entrar - diz ele orgulhosamente.
-Andam entre nós? – Repito - queres dizer que existem mais?
-Sim, existem, alguns são bons, outros são maus.
-E eu? Sou alguma vampira, lobisomem, imortal ou nefilim? - Pergunto rapidamente, com esperança de ser finalmente alguém nesta vida...não seria maravilhoso ser uma imortal? Vampira, para mim, também servia porque eu até gosto de sangue, pelo menos é o que penso, mas por outro lado, não me agrada andar a matar gente inocente, quer dizer, as minhas prezas enterrava-se perfeitamente no saboroso e lindo pescoço do Brandon, ou então naquela estúpida Kelly, quanto a ela, matava-a sem pensar duas vezes (vocês não liguem, mas ás vezes sou mazinha hehe).
Vejo que ele olha para mim, sem perceber muito bem o que dizer, continuo.
-Não posso ser nada disso, porque tenho toda a certeza que os meus pais são totalmente humanos, pelo que a hipótese de eu ser nefilim ou Lobisomem não pode ser.
Até agora não encontrei nenhum vampiro, que me pudesse morder o pescoço, por isso essa também está fora da questão.
Imortal também não, porque não estive quase a morrer - digo desanimada -ou vocês deram-me algum sumo da imortalidade para eu recuperar, e agora sou uma imortal? -pergunto, com um sorriso animado outra vez.
Os três olham para mim e começam-se a rir, feitos de parvos.
-Qual é a piada? - Resmungo, cruzando os braços no peito.
-Eu bem disse, que ela tinha uma imaginação muito boa - pisca-me o olho a Aby.
-Hum, então não sou nada disso?
-Andas a ler demais - diz ele, divertido. -Tu não és uma imortal, és humana.
-Isso já não é novidade -digo, agora mesmo mal-humorada. - Porque os vampiros apareceram lá? Não foi de certeza por nós termos chamado.
-Não sabemos, a tarde temos que descobrir, mas agora estou cheia de fome e tu? - Pergunta-me a Aby.
-Também eu, existe alguma coisa?
-Não, as nós vamos preparar alguma coisa, vão ter de esperar algum tempo-diz o Nigel, agarrando no braço do Brandon e puxa-o para a cozinha.
-Ahahah, está bem - rimo-nos ao mesmo tempo - depois chamem-nos.
-Esta bem - pisca-nos o olho o Nigel e sai do quarto, tapando a porta atrás de si.
-Tão fofos - digo com um ar sonhador.
-Mesmo, mas o mais fofo é o Brandon não é? -pergunta-me ela, com um sorriso malandro.
-Não sei de que falas - digo, virando a cara.
-Até parece - responde ela - tu desculpas-me?
-Desculpo-te? Porque?
-Eu não devia ter te pedido para fazer-mos aquele ritual estúpido, a culpa é toda minha, e se o Brandon e o Nigel, não tivessem aparecido a tempo? Nem sei o que poderia ter acontecido - diz ela numa voz tão baixa, que mal se ouve, leva as mãos a cara, eu abraço-a, e digo:
-Tu não tens que me pedir desculpas por nada, além disso até me diverti, se existem vampiros neste mundo, de certeza, que não morria.
-Sim, não morrias, eu não te deixava, pensas que deixaria partires deste mundo, assim sem mais nem menos? Nunca - diz ela afirmativamente.
-A sério? Tu também não te livrarias de mim, tão rapidamente - digo, começando a sair da cama, depois lembro-me dos meus pais.
-E os meus pais? Se eu aparecer lá em casa, nunca mais vou poder sair de lá...
-Esta tudo sob controlo, eu disse a tua mãe que ias ficar em minha casa durante uma semana, a minha mãe confirmou.
-És uma querida - sorrio para ela -há aqui roupa para rapariga de jeito?
-Sim, eu fui a minha casa, e trouxe-te aqui umas coisas. - pega numa mala e despeja de lá, uma saia, calções, t-shirts, tops e um casaco de pele preto lindo e muito caro.
-O casaco é para a Noite.
-Ok, eu vou tomar um banho e depois desço a cozinha.
-Está bem - levanta-se e sai do quarto.
Quando ela tapa a porta atrás de si, passo a mão pela cama, era linda, saio do lugar e vou direita a varanda, afasto a cortina, e a minha frente desenha-se uma vista bonita.
Um bosque, com árvores grandes e verdes, uma fonte no meio, rosas e outros tipos de flores por todo o lado, a sério, aquilo é maravilhoso, nem nos sonhos vi tanta beleza.
Fui tomar banho, a pensar, sobre aquilo que aconteceu naquela noite, ainda 15 horas atrás eu era uma rapariga, com uma vida perfeitamente normal, que acreditava parcialmente em criaturas misteriosas da noite, sem sequer imaginar que um dia iria deparar-me com elas. Os vampiros que vi, eram normais, vestiam roupas que toda a gente usa, mas mesmo assim posso admitir que eram bonitos.
Saí do banho, peguei no top vermelho e nos calções que a Aby me deixou, vesti tudo a calcei uma havaianas, arrumei o meu cabelo e sai do quarto, descendo para a cozinha.

Sem comentários:

Enviar um comentário