Elizabeth
Estava cansada.
Ia perto da casa do Nigel, mais ainda faltava muito.
O Brandon era pesado, quer dizer, sou uma rapariga, é lógico, que para mim um rapaz daqueles era o limite.
Quando saímos da floresta ele desmaiou, pelo que tive que o por atrás de mim, para facilitar-me a transportá-lo.
Os pés dele arrastavam-se pelo chão, fazendo com que pedaços de relva e terra fossem agarrados aos seus ténis. Sentia o cheiro do seu sangue. O meu top estava molhado onde a sua ferida me tocava. Se tirasse-o quando chegasse encontraria uma mancha vermelha atrás. Os meus pés também estavam cheios de arranhões, sangue e ainda por cima sujos, doíam-me como não sei o que.
Era de Noite, eu conseguia ver pouca coisa, mas a medida que me aproximava da casa os candeeiros iluminavam melhor e praticamente a parte do jardim todo. Tropecei na raiz de uma árvore gigante que crescia ao pé do portão e caí com o Brandon por cima das minhas costas. Doeu. O facto de eu não o conseguir tirar de cima de mim, também não ajudava, depois resolvi chamar a Aby. Afinal ela era ou não era lobisomem? Tinha que me ouvir.
-Aby! Vem aqui fora! – Gritei, mas pareceu mais um sussuro. Mas como a porta abriu-se, percebi que ela tinha ouvido. Ela aproximou-se de mim, com a rapidez tal, que eu quase a vi desfocada.
-Liz, voltaste, o que se passa? - perguntou ela, quando viu o Brandon nas minhas costas.
O Nigel veio ter connosco e tirou o Brandon de cima de mim. Levantei-me e segui-o.
Só que antes de entrar-mos:
-Aby espera – parei-a – eu quero pedir-te desculpa, eu não queria ofender-te e fazer aquele drama todo, quero que me perdoes e se tens mais segredos desses, é melhor eu não saber assim desta maneira, está bem? – Perguntei-lhe.
-Fixe! Claro que sim, eu também ia-te pedir desculpa, eu queria que soubesses tudo desde o início mas eles não me deixaram. – Abraçou-me – Perdoas-me?
-Eu não tenho que te perdoar por nada – retribuo-lhe o abraço – foste e sempre serás a minha melhor amiga, e desta vez mesmo para sempre.
-Claro que sim - diz ela. – E o que aconteceu com o Brandon?
Entramos em casa e seguimos o Nigel para cima, acho que íamos ao quarto do Brandon, onde por acaso, nunca estive.
-Lobisomens – disse eu – Ele disse que era tratar da ferida, e ela começaria a sarar normalmente.
-Não é assim tão fácil – disse o Nigel.
Olhei para ele, depois para o Brandon e depois para a Aby.
-O que querem dizer com isso?
-Sem digamos assim magia, a ferida até após ser limpa, vai demorar pelo menos três dias a sarar. E antes que perguntes, dons mágicos só possuem membros da família real.
-Azar, ele sarará rápido, eu vou tratar dele, traz-me álcool e os panos para eu tratar disto. Vocês podem ir dormir. – digo, com toda a convicção que vou conseguir.
-Tens a certeza fofa? – Pergunta-me a Aby.
-Absoluta.
-Está bem, então boa noite, e não demores está bem? Se quiseres posso ajudar.
- Não é preciso, basta trazeres-me o que pedi e já esta. – Tento parecer normal, apesar de não me sentir assim.
A Aby e o Nigel saíram, e toda a certeza de “eu vou conseguir” desapareceu.
Sentia-me culpada outra vez, se não o tivesse chamado, isto não aconteceria, afinal ele distraiu-se por causa de mim, não foi?
Minutos depois a Aby voltou com todas as coisas que eram precisas para tratar dele.
Aproximei-me da cama do Brandon, com cuidado cortei-lhe o que restava da t-shirt, porque não a ia conseguir tirar, e examinei-lhe a ferida. Parecia que tinha cerca de um centímetro de profundidade, o que era mau, muito mau. Molhei o pano no álcool e pus-me ao trabalho.
Depois de estar a ferida limpa, tapei-a e fui despejar a taça com água ensanguentada.
Deixei-o no seu quarto, e fui para o meu. Entrei na enorme sala de banho e enchi a banheira. Meti-me lá dentro e suspirei. Sabia mesmo bem água quente, as feridas dos pés doeram-me um pouco até se habituarem a temperatura da água.
Fiquei dentro da banheira durante um bom bocado. Saí de lá, sequei o cabelo e vesti o meu pijama. Pego na almofada e numa manta e dirijo-me novamente ao quarto do Brandon.
Fui ver se ele estava bem, e quando o verifiquei deitei-me no sofá e adormeci logo.
O meu sonho estava a ser altamente. Tinha sete lindos dragões, que nem percebi bem, se guardavam aquele mundo ou governavam. Depois fui puxada para outra cena bem diferente e assustadora, já não havia dragões, o céu ficou cinzento, mas depois tudo melhorou outra vez, mas agora eram uma mulher e um homem a governarem tudo, tinham umas lindas tatuagens de tigres nas costas e uma de dragão a volta do pulso direito. Observei a cena maravilhada, mas pela segunda vez a cena toda mudou. Desta vez vi a morte, do rei e da rainha, alguém matou-os, mas não consegui ver quem, mas também vi uma menina que estava a dormir, ao pé dela estava um lindo tigre branco e um dragão de ouro a sua volta, quase transparente.
Quando a menina abriu os olhos, a pata do tigre estava no coração dela, os olhos passaram do esverdeado ao prateado e a menina morreu, a seguir o tigre também.
Eu queria fazer alguma coisa, mas estava a observar tudo dos bastidores, pelo que só pude olhar. Estava horrorizada, não sabia o que fazer, depois ouvi uma voz.
-Lembra-te quem és e nunca te esqueças disso.
Acordei.
Sentei-me no sofá, sem saber muito bem o que fazer.
Fui até ao Brandon, o sangue passou para os panos que lhe tapavam a ferida. Tirei-os. As três riscas não sararam nem um bocadinho. E ele não voltava a si. Lavei a cara e olhei para o espelho.
Oh meu deus, o meu pulso direito estava rodeado por um dragão dourado, como naquela mulher do meu sonho. Olhei para o relógio, perfeito, eram seis horas de manhã.
Tinha que me lembrar de quem eu era. Vi, como foi destruída a família real, ou seja que não foi por acaso. Voltei a cama do Brandon, examinei-lhe outra vez a ferida, sem toca-la pus as mãos em cima dela e fechei os olhos.
Abri um, não tinha acontecido nada, fogo!
Mas vá, tinha-me que concentrar, e se eu fosse alguém da família? Seria brutal, não é? Concentrei-me.
Senti o meu pulso a aquecer, fechei ainda mais os olhos.
-Liz? – A voz do Brandon assustou-me.
Olhei para ele, estava a sorrir. Tão lindo. A ferida no peito estava a sarar rapidamente, o que significava que fiz o que devia, espectáculo.
-Estás melhor? – Pergunto.
-Sim, estou óptimo agora. Como conseguiste curar-me? Só elemento da família real… - calou-se.
-Sim, só membros da família real, conseguiam-no fazer, e tu não-mo disseste. – Cruzei os braços no peito.
-Desculpa – sorriu ele, e tocou-me na face.
O toque era suave e caloroso, ele sentou-se na cama ao pé de mim, puxou-me para ele, e desta vez sim beijámo-nos. Tão bom, o beijo dele era suave, doce e mesmo o melhor do mundo. Puxei-o mais para mim, as minhas mãos rodearam-lhe o pescoço e…
-Hei, meus queridos, quer dizer, nós preocupados a dormir e vocês a fazerem sei lá o que.
Afastei-me rapidamente dele, toda vermelha, e sorrimos.
A Aby, sorriu-me, aquele sorriso significava, mais tarde contas-me tudo, estou mortinha por saber.
O que tens no pulso? – Perguntou-me o Nigel, agarrando-me na mão direita.
-Não sei, tive um sonho e aconteceu isto. – Encolhi os ombros.
-Hum, que estranho, mas agora arranjem-se, e descem a cozinha. – Disse ele, naquela voz, eu é que mando aqui.
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