Elizabeth
Enquanto o Nigel e o Brandon conversavam sobre sei lá o que, desci as escadas e saí para fora da casa. Estava quase de manhã. O sol ia levantar-se daqui a pouco, e cá fora ainda era fresquinho.
Observei o jardim a minha frente, ou melhor, uma parte dele. O meu olhar parou na zona dos arbustos. Entre eles estava um vulto deitado, a forma era-me estranhamente familiar. Avancei um pouco e dei um gritinho quando percebi que o que estava deitado a minha frente era a Aby.
Corri para ela.
-Aby? – abanei-a. Devagarinho ela abriu os olhos.
-Liz! – exclamou ela e abraçou-me.
-Consegues andar?
Ela levantou-se e sacudiu o lindo vestido dela que estava com terra.
- Claro que consigo! Anda, levanta-te do chão, eu quero ver o Nigel. Estou com saudades.
Observei-a sem saber muito bem o que fazer. Acabei por ir atrás dela. Entrei em casa e subi as escadas em direcção ao quarto da Brandon.
Fiquei a observar a Aby a abraçar e a beijar o Nigel, esse todo contente trocando palavras doces com ela. O Brandon abraçou-a e afastou-se, dirigindo o olhar para mim. Desviei olhando para o chão e entrei no quarto.
-Não te fizeram nada de mal, pois não? – Perguntou o Nigel, afastando uma madeixa da cara da Aby, ela sentada ao colo dele.
-Não meu querido. Eles não encontraram o que procuravam, não me fizeram nada de mal, está descansado – cantarolou ela beijando-o novamente.
Sorri. Eles são um par lindo.
-Onde estiveste? – Perguntei – Onde arranjaste esse vestido? Porque só por acaso é lindo.
Ela sorriu-me. Como tinha eu saudades daquele lindo sorriso, que alegrava-me nos dias mais cinzentos.
-Pois, eu também acho-o lindo. Mas prefiro gastar dinheiro e comprá-lo aqui, do que recebe-lo onde eu estive.
Fiz ar de confusa.
-Afinal, onde estiveste?
-No outro mundo. Outro planeta qualquer, do qual não me lembro do nome, mas também não me interessa muito – disse-me indiferente.
-Planeta Andreô – explicou-me o Brandon.
A Aby encolheu os ombros a brincar com o cabelo do Nigel.
-Acho que é isso. De qualquer maneira prefiro estar aqui.
Todos começaram-se a rir. Incluindo eu.
-Foi assim tão mal, a tua primeira impressão sobre o nosso mundo amor? – perguntou o Nigel ainda a sorrir.
-Querido! O meu mundo sem ti é imperfeito! – diz ela e beija-o.
-É o mundo onde os teus familiares nasceram e morreram.
-Pois, dizes bem, morreram. E eu meu querido, não pretendo morrer tão cedo. – afirma.
-Ok, ok – digo a rir-me dela.
-Eles lá, deram-me comida. Fizeram-me um teste de treta e mandaram-me para aqui, fazendo uma promessa que nunca mais me incomodariam. Ah! O Alex e o Mike são tipo escravos naquele mundo. Foram pelos vistos eles que me trouxeram para lá. Eu ia para buscar uma coisa ao carro, mas eles injectaram-me uma coisa qualquer, de modo a eu não me puder transformar mais.
-Uffa. Sabes o que era? – perguntei – ela abanou a cabeça em sinal de negação. Observei-a melhor. Claro que é bom, que eles devolveram-ma, mas ela estava a esconder-me algo, para além de mais, para que eles raptaram-na. De que eles estão a procura? Iria perguntar-lhe isso quando ficassemos sozinhas.
-Esperem! O Mike e o Alex são aqueles rapazes que me falaste Liz?
Assenti.
-Amor? Conhece-los – perguntou-lhe a Aby.
-O Alex só. Eu e ele éramos amigos. Ele detesta os humanos. Porque foi por causa de um deles que a mulher dele morreu.
-Ah? Ele disse que era por causa dele que ela foi castigada! – contrapôs a Aby.
-Não. A união entre um humano e um vampiro é proibida. A mulher dele amava os dois. Engravidou do humano. O Alex era uma figura importante lá no reino, era tipo o braço direito do rei, como vocês utilizam essa expressão aqui, o rei castigou-a e castigou o humano.
-Como? – perguntei baixinho.
-No nosso planeta só existe noite, não há sol. Ela foi submetida ao pior castigo. Queimada viva. Depois da guerra abriram-se portais, o actual governador sabe deles. Eles chegaram a terra quase de manhã, quando o sol levantou-se ela morreu. Ao amanhecer ela foi queimada. O Alex assistiu e o humano foi obrigado a ver, o que o amor dele provocara. Ele mais tarde também morreu. Ninguém sabe muito bem como.
-Oh! Pronto está bem – interrompeu-nos a Aby – podemos não falar nisso agora? Preciso de tomar um bom banho, preciso de mudar de roupa e para alem de mais estou cheia de fome!
Todos se riram.
-Qual piada?
-Nenhuma linda! Vamos! Já que estás com fome, vou fazer-te alguma coisa.
Ela sorriu.
-Liz? Vais connosco?
Abanei a cabeça.
-Não. Ainda não estou com fome – menti – vou para o meu quarto. Pode ser que consiga descobrir o portal.
-Concordo. Mas de certeza que não estás com fome?
-Certeza absoluta. Tu é que vai comer. Já estás magra que chegue.
Ela abraçou-me e saiu do quarto de mão dada com o Nigel. O Brandon ficou no quarto comigo. Nem eu nem ele falamos Eu também precisava de tomar banho, não estava cansada porque só agora é que o café e o Redbull começaram a fazer efeito. Tinha energia para dar e vender.
-Bem – levantei-me e ele também – vou fazer o que planeei, se tiver novidades aviso – que raio que eu disse?
Saí do quarto praticamente a correr, entrei no meu e fechei a porta.
Meu deus. Eu gostava realmente dele? Será? Eu sentia-me atraída por ele, quando o via sentia borboletas na barriga. Era normal? Abanei a cabeça, afastando para longe esses pensamentos.
Fui escovar os dentes. Depois do banho enrolei-me na toalha e avancei pelo quarto até ao armário
Abri-o. Em três dias estava cheio de roupa. Tinha até mais, daquilo que eu tenho em casa. Optei por uns calções e uma t-shirt vermelha. Fiz uma trança no cabelo e saí do quarto. Passei pela cozinha onde o Nigel cozinhava para a Aby. Aquela, sentada a mesa a tagarelar sem parar e ele a ouvi-la com paciência. Sorri para com os meus botões e fui para o jardim.
Encontrei um sítio lindo que era rodeado por arbustos verdes, rosas, tulipas e algumas árvores não muito altas. Tinha um banco de mármore decorado com conchas, cordas e tudo o mais. Acho que era o sítio mais lindo que já vi, pelo menos desde o dia que tou naquela casa ou mansão, vai dar ao mesmo.
Sentei-me no chão e cruzei as pernas. Muito bem. Como se encontrava um portal? Era a questão agora.
Eu não sabia o que conseguia, o que podia, e o que não poderia fazer.
Fechei os olhos, meti as mãos abertas para o céu nos joelhos e concentrei-me num só pensamento. Onde estaria o portal?
Senti o meu pulso quente, percebi que a minha tatuagem brilhava. Concentrei-me ainda mais. A minha frente apareceu uma espécie de muro, depois um comboio e torre de Big Ben. Abri os olhos e tudo desapareceu.
Fiquei uns cinco minutos sem conseguir falar.
Consegui. Big Bem. O portal estava em Londres. O mais provável numa estação de comboios. Sorri toda contente. Tinha que ir contar-lhes.
Levantei-me e virei a cabeça para o lado. Estava com uma sensação estranha de alguém estar a observar-me.
O rapaz de olhos azuis gelo e um pouco de tom prateado observava-me.
Não consegui sair do lugar. Simplesmente não conseguia. Fiquei a observá-lo.
Tinha um cabelo preto, estava vestido com uma t-shirt preta, calças pretas e uma casaco de pele preto. Era lindo. Perfeito. Um rei das trevas. Os cantos da boca dele curvaram-se. Na cara apareceu um sorriso irónico. Os dentes eram extremamente brancos. Só acordei quando ele começou a avançar para mim.
Concentrei-me. Sentia o meu coração a bater a mil. Quando recuperei o controlo sob o meu corpo, saí do lugar e comecei a correr daí para fora.
Cheguei a porta e virei-me pronta para atacá-lo, mas a minha frente não havia ninguém. Ele não foi atrás de mim. Eu não ia falar sobre nada do que aconteceu. Porque nem eu própria percebi muito bem. Acalmei-me e entrei em casa sorridente.
-Hey! Descobri! Descobri onde está o portal. Está em Londres, numa estação de comboios qualquer.
Os três olharam para mim.
-Tens a certeza perguntou-me o Brandon.
-Sim absoluta.
-Óptimo. – disse o Nigel – Então façam as malas, vamos a Londres declarou.
-Yahoo! Londres! Shopping! Novos pares de sapatos, malas, calças, saias! – bateu palmas.
Começamos a rir-nos. Tinha a minha melhor amiga de volta, estava feliz e por um segundo esqueci-me do rapaz que me tinha observado com tanta curiosidade.
Abracei a Aby, ainda a rir-me dela.
Troquei um olhar com o Brandon que me sorriu de uma maneira única, senti-me a aquecer por dentro. Também lhe retribui o sorriso.
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