Elizabeth
Cheguei a casa da Aby.
Os pais estavam fora. Eu ainda pensei em fazer uma visita aos meus, mas não tive coragem. A minha mão começaria com cenas e tal…
- Olha, uma coca queres? – Perguntou-me a Aby.
- Sim, pode ser.
Subimos para o quarto dela e mandamos todos os sacos das compras para o chão.
-Ora bem, hum, deixa cá ver – começa a procurar pelos sacos não sei o que. – Onde estão os calções, o top, aqueles sapatos de salto alto e as pulseiras e o colar que te comprei? – Perguntou-me ela, levantando as sobrancelhas.
-Perguntas a mim?
-Ah, a quem devia de ser? Onde estão?
-Sei lá, nesta confusão toda, é complicado encontrar uma coisa qualquer.
-Pois, mas é melhor começares já a procurar. As onze da noite vamos sair, por isso anda lá, ainda tenho que te arranjar o cabelo…
-Arranjar-me o cabelo? – repito – o que ele tem de errado?
-Tudo – diz ela – da raiz até as pontas!
-Tá bem! Encontrei – disse eu, tirando as roupas do saco.
-Finalmente! – resmunga ela, aproximando-se de mim.
-Então é assim. Agora vais tomar banho. Depois quando saíres, eu preparo-te.
-Mas porque temos que sair hoje? Eu não tou com vontade nenhuma. Preferia ter ficado no meu quarto confortável…
-Pois claro, com o Brandon ao lado não é? Sonha linda, sonha! Hoje taz a minha conta, por isso não resmungas e vai já pó banho – diz ela, e manda-me uma almofada, que vei mesmo a minha cara. Desequilibrando-me caio.
-Parva!
-Claro que sou – pisca o olho.
Levanto-me, pego na toalha, entro no duche e ligo a água.
No que é que eu estava a pensar agora? No beijo do Brandon. Foi um beijo doce, suave. Foi o meu primeiro beijo. Era estúpido, uma rapariga de 16 anos ainda não ter beijado ninguém. Mas sabem? Nunca me interessei muito pelos rapazes. Acho alguns lindos mas nada de mais. Lindos. Só.
Agora com o Brandon era diferente. Gostava de tudo nele. Aquele rapaz lutava lindamente. Era lindo. Tinha uma estrutura perfeita. Além disso, era o que eu mais gostava.
Passei o gel pela minha tatuagem. Agora ela não brilhava, como me tinha dito o Brandon.
Será que só brilha quando eu utilizo os meus poderes? E afinal? Quais são eles? Não sei de nada. Consigo curar. Isso já percebi. O que consigo fazer mais? Consigo comandar os elementos? Tipo a Zoey Redbird, da minha saga favorita. Hum.
Fecho os olhos e concentro-me na água. Abro um. Não aconteceu nada. Suspiro e saio do banho.
Olho para o espelho e para o meu aspecto. Sim. A Aby tinha mesmo razão. Estou horrível. Mas ela sabia fazer milagres, por isso acho que tudo correrá bem.
Antes de sair, fechei os olhos e concentrei-me em encher a banheira. Abri-os. Mas nada!
-Aby!
-Sim? Já tomaste? Ok, agora vou eu! – passa por mim, e dá-me um beijinho na face.
Sorrio.
Pego nos calções e no top, e olho para o espelho.
-Elizabeth!!!!!!!!!!!
Dou um salto ao ouvir um grito da Aby. Corro para a casa-de-banho.
-O que foi? – pergunto e paro, ao ver tudo cheio de água.
Olho para a Aby, que devegar vira-se para mim.
- O que isto significa?
Encolho os ombros.
-Foste tu que fizeste isto? Se foi – aponta-me o dedo – então limpa!
-Como? Eu não fiz isso!
-Liz! Estamos atrasadas. Eu ajudo-te! Pega nas toalhas!
Olho para ela.
-Espera. Se fui realmente eu, consigo limpar isto sem esforço. – digo fechando os olhos e concentrando-me. Imagino toda a água dezaparecer. Quando volto a abrir os olhos, deparo-me com um Aby totalmente surpreendida.
-Eheheh, que fixe! Adoro-te! Obrigada! E não utilizes mais o teu poder em minha casa se faz favor – diz ela entrando no duche.
Saio da casa-de-banho e sento-me na cama.
Consegui.
Mas como? Aquilo não foi comandar a água. Mas senti-me bem. Voltei a olhar para a tatuagem, já não estava a brilhar. Será que brilhou?
Hum, quando a Aby sair vou perguntar-lhe.
-Ainda não te vestiste?
Virome.
-Já saíste?
Ela sorri.
Claro que já. Veste o top e os calções que eu trato do resto – pisca-me o olho.
-Está bem. E tu? Vai com que? – pergunto levantando uma sobrancelha.
-Minha querida, eu tenho tudo sob controlo. Vou também de calções de ganga, sabes aqueles que comprei antes de ontem, e este top.
Mostra-me um top branco simples, mas bonito.
-Esses calções são lindos – elogio.
-Obrigada – sorri ela e começa a vestir-se.
Faço o mesmo.
Depois de já estar vestida, sento-me a frente do espelho.
-O que vais fazer com o meu cabelo? – pergunto desconfiada.
-Eu nada. Mas a estilista sim. – diz sorrindo. Naquele momento no quarto entra uma cabeleireira.
-Olá – digo sorrindo. Mas o meu sorriso era falso. Naquele momento queria matar a Aby.
-Faça com ela o que achar preciso. Ou melhor, quero que o cabelo dela esteja perfeito. Ondulado, brilhante. A cara é para ter uma boa maquilhagem – manda ela e sai do quarto.
Só pude suspirar.
Depois de praticamente uma hora a Aby volta a entrar no quarto.
-Então? – diz ela e para no meio do quarto. – Uau! Estás perfeita.
Olho para o espelho e nem acredito no que vejo. O meu cabelo estava solto, caía em ondas e estava brilhante. Na minha cara estava uma maquilhagem igualmente perfeita nocturna. Um gloss cor-de-rosa lindo nos lábios.
-Você fez um trabalho perfeito. Obrigada. – diz a Aby e a cabeleireira e estilista saiem do quarto.
-Falta-te uma coisinha! – diz ela, pega num colar e numas pulseiras pretas e prateadas. – Mete isso, e já ficarás totalmente perfeita!
Faço o que ela diz. Depois levanto a cabeça e olho para ela.
-E a ti? O que aconteceu? Estás mais que perfeita! – exclamo.
O cabelo que costumava estar ondulado, estava liso e solto. A maquilhagem também estava perfeita. Os calções, o top, e os acessórios combinavam perfeitamente com os sapatos de salto alto pretos. Parecidos com os meus.
-Obrigada! Mas sabes? Acho que arrependi-me fazer-te o que fiz. Estás mais bonita que eu! Vou chorar. – diz ela e começa a imitar um choro.
Sorrio
-Não chores! Vais estragar a maquilhagem.
Ela endireita-se e olha para o espelho.
-Estúpida! Podias ter dito mais cedo – ralha-me.
-Para que? É engraçado ver-te nesse estado – sorrio.
-Hum. Estou a brincar. Estamos as duas perfeitas, e eu tou satisfeita com o resultado, se o Brandon te visse ficaria boquiaberto.
-A sério?
-Claro. Mas hoje a noite não é para ele. Por isso pega na mala, e vamos.
Pego na mala e enfio o telemóvel lá.
-Liz!!!!!! – grita-me a Aby. Antes de sair ainda olho para o espelho e desço a correr as escadas. Entro no carro.
-Vamos para que bar? – pergunto curiosa.
-O melhor que existe – responde-me ela e liga a música.
Lanço-lhe um olhar, mas depois desisto de tirar mais informação, por isso olho para a janela e vou respondendo as perguntas que ela me vai fazendo. Desejosa para que o dia finalmente acabe e eu volte para o meu quarto.
Sem comentários:
Enviar um comentário