terça-feira, 6 de setembro de 2011

Capítulo 4

Elizabeth


Desci as escadas, completamente maravilhada pelo cheiro da comida.
A minha barriga estava a dar horas, quem quer que cozinhou aquela delícia, pelo menos, pelo cheiro, parecia mesmo bom.
Cheguei a cozinha, a mesa estava posta.
A Aby estava sentada, a olhar com um ar sonhador para o Nigel, que andava atarefado e muito empenhado em por a comida no prato dela. São um par perfeito.
O Brandon avistou-me e sorriu, com um sorriso que eu achei mesmo e completamento encantador. Será que tenho hipótese com ele? Isso era estúpido, um rapaz daqueles, numa situação normal nem sequer repararia numa miúda como eu, mas aquela não era uma situação normal, pois não?
Sentei-me a mesa e sorri para eles.
-O cheiro é mesmo fantástico - digo, enquanto o Brandon põe-me um bife e arroz, com m molho qualquer por cima.
-O molho é de uma receita muito antiga - diz ele.
O Nigel e a Aby começaram-se a rir.
-Imagino, o quão antigo é - diz a Aby, e desta vez o Brandon também sorri.
Fiquei espantada, sem saber muito bem se me devia rir ou não, é que para ser sincera, não percebi muito bem a piada.
Olhei outra vez para a comida. Desejosa por prová-la, peguei no garfo e na faca, e cortei um pedaço de carne, com o tal molho muito antigo.
Meu deus, isto é que é mesmo delicioso - pensei quando meti a comida na boca - quem me dera ter um homem daqueles hehe.
-É muito bom – digo - nunca provei uma coisa destas - e era verdade, tudo bem, que a minha mãe cozinhava lindamente, mas isto era diferente.
-Pois é -apoia-me a Aby, comendo uma grande garfada de arroz e carne.
-Obrigada - responde o Brandon, sem no entanto parar de olhar para mim.
O que tinha eu? Levei automaticamente a mão ao cabelo, não, acho que o cabelo estava bom, a roupa também estava fixe, ah, lembrei-me de repente, estava sem maquilhagem, mas ele também vai ter de se habituar, não gosto de usar maquilhagem, só mesmo quando sou obrigada, e acho que não é complicado descobrir por quem.
Tudo aquilo era-me tão estranho...
Além disso, porque o Nigel tinha dito que nenhum vampiro poderia meter um pé sequer no território da sua casa, o que tinha ela?
Depois de comer-mos, a Aby ajudou a levantar os restos da mesa, o Brandon foi para o seu quarto, eu ofereci ajuda na cozinha, mas eles disseram-me que não.
Sem saber muito bem o que fazer, pensei que era melhor deixar os apaixonados na paz, e ir dar um passeio por aqueles lados.
Estava um dia maravilhoso, o sol brilhava, no céu não havia uma única nuvem, avistei a fonte, da qual tinha gostado desde a primeira vez que a vi, da varanda do "meu" quarto.
Sentei-me a beira e mexi na água.
A esta hora, estaria em casa, mais provavelmente acabada de sair da cama, iria sem tomar o pequeno-almoço para a casa da Aby, e assim íamos passar o resto do dia a conversar sobre rapazes, nadar na piscina dela e ver-mos filmes de terror.
Era o que normalmente fazíamos nas férias de Verão.
Escrevi o nome do Brandon na água e depois comecei a rir da estupidez que tinha acabado de fazer.
Na água, um reflexo estranho e escuro apareceu, sem ter tempo para ver o que era, fui agarrada pela parte de trás do pescoço e atirada para o chão.
Embati contra um arbusto, que me fez pequenos arranhões na pele, podia ser pior – pensei - sem ter tempo para gritar levantaram-me do chão e desta vez mandaram-me contra uma árvore, fiquei sem ar e com a vista turva. Quando comecei a ver novamente bem, olhei fixamente olhei para aquilo que avançava para mim, era um rapaz de cabelo castanho, quase preto e com olhos azuis como o gelo e frios. Olhei-o. Ele parou, o seu olhar prendeu-se ao meu, sem perceber muito bem, comecei a sentir-me mais fraca, e incapaz de me mexer. Ele baixou a espada que empunhava, continuando a olhar para mim.
Eu debatia-me na minha mente, mas na realidade eu não me mexia, depois foi como se alguém me desse um murro na barriga, naquele instante eu percebi o que ele estava a fazer-me.
Ele estava a matar-me!
Com um único olhar, ele estava a tirar-me a vida, fiquei com medo, eu não ia nem deveria morrer assim. Sempre sonhei ser um ser superior aos humanos, ter um namorado imortal, mas morrer desta maneira não. Tentei levantar-me, mas não consegui, tentei gritar, mas a minha boca nem sequer abriu-se.
Felizmente o nosso olhar foi interrompido pelo Brandon, que se meteu a minha frente, numa posição defensiva.
Consegui recuperar rapidamente, de trás do rapaz, saíram mais um rapaz e uma rapariga, enquanto o Brandon lutava com aquele que quase me matou, o Nigel, deu um murro na cara do outro rapaz.
A rapariga de cabelos de fogo, aproximou-se de nós, com uma rapidez sobrenatural.
-Cuidado - gritei a Aby, que estava ao pé de mim a tentar ajudar-me, mas foi tarde de mais, a rapariga agarrou-a e mandou-a para longe.
-Aby! - gritei e tentei correr para ela, mas o braço da rapariga meteu-se a minha frente.
-Não, minha querida, finalmente chegou a tua vez - disse ela num tom da voz divertido e maldoso, ela começou a avançar para mim, dei um passo para trás.
Nesse instante saltou algo para a rapariga, algo grande e peludo e muito, muito forte. A rapariga tentou debater-se contra o peso do animal, mas esse arrancou-lhe a cabeça, o relvado ficou com um monte de sangue. Que nojo! Caí de joelhos, a olhar para a cena, tudo tinha parado, o rapaz de olhos azuis olhou para a criatura e depois para mim, aquele que estava a lutar contra o Nigel também parou, olhou para o corpo sem vida da rapariga e depois para o animal.
- Tu! - Apontou a espada para aquilo - Vais pagar! - Cuspiu as palavras, com tanto ódio que até me provocou náuseas, e começou a avançar para o animal com a espada no ar.
A criatura gigantesca rugiu e as palavras ecoaram na minha cabeça.


Se te aproximares, serás o próximo a encontrar a tua morte...


As palavras do animal também tinham uma centelha de raiva contida, e foram ditas num tom que me pareceu ameaçador.
O rapaz de olhos azuis, que até agora tinha o olhar posto em mim, olhou para o outro.
-Chega, ela fez o que não lhe foi pedido, deveria ter mais cuidado.
-Vocês irão pagar - disse o outro, com ódio -e tu especialmente -acrescentou e apontou o dedo para mim.
Algo de brilhante apareceu do nada a minha frente, os dois rapazes e o corpo da pobre rapariga desapareceram.

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