sábado, 10 de setembro de 2011

Capítulo 17

Elizabeth



Depois de ficar a chorar uns três minutos, limpei a cara com a manga do casaco e tirei o telemóvel.
Pode parecer esquisito, mas eu só choro quando estou muito irritada, até não dar para conter mais. Além disso, estava mesmo preocupada com ela, não podia perder tempo.
Procurei na lista o número da Aby e cliquei em chamar. Ela não atendia, ou melhor dizia uma treta qualquer, que o operador está fora de não sei o que.
Levantei-me do chão e tentei abrir a porta do carro. Tinha que voltar para casa. Para a minha admiração deu. Estava prestes a entrar, quando o meu pé pisou algo pequeno e duro. Abaixei-me e apanhei as chaves do carro dela.
Ela devia ter aberto o carro, para meter ou buscar qualquer coisa quando a “raptaram” – pensei – tenho que voltar o mais rapidamente possível, contar tudo ao Brandon e ao Nigel, eles saberiam o que fazer.
Saí do parque de estacionamento e comecei a viagem de volta a alta velocidade. Não segui muito bem as regras todas, mas não valia a pena, estava com pouco tempo.
Passadas praticamente três horas, pensei seriamente no que ia dizer-lhes. Estava a morrer de sono. Pelo caminho bebi pelo menos um litro de café. Duas latas de Redbull, funcionou de grande coisa. Estacionei a frente da casa e fui até a entrada.
Enchi o peito do ar e abri a porta, rezando para que eles não estejam na sala. Suspirei de alívio. Não estavam. Silenciosamente andei pela casa, com esperança de os encontrar, precisava de lhes contar o mais rápido possível. Subi escadas a cima, e caminhei em direcção ao quarto do Brandon. No escuro bati contra algo duro e forte. Afastei-me rapidamente e procurei pela luz.
Vi um deus! Ou melhor, vi o Brandon, que estava a minha frente, só com calças de ganga. A ferida já nem se notava, o cabelo dele caía com estilo para o lado, e estava meio despenteado.
Fiz um enorme esforço para não abrir a boca e não tocar com a minha mão nele, para certificar-me que era real.
OMG.
Se a Aby me visse agora. Abanei a cabeça. Aby. Era o que interessava agora. Que estúpida egoísta que sou, a minha melhor amiga esta em apuros e eu aqui a imaginar.
-Olá – sorriu ele.
Não tinha tempo para cerimónias. Agarrei-lhe no braço e puxei-o para o meu quarto. Larguei-o na cama e sentei-me ao lado.
-O que aconteceu? – sorriu-me ele.
Inspirei fundo umas poucas vezes, até ganhar coragem. Quando finalmente ia para dizer alguma coisa, pela porta entrou o Nigel.
-Liz? – Sorriu – Onde está a Aby?
Era agora o momento.
-Eu não sei – disse sem uma ponta de emoção na voz – ela saiu para fora quando tu lhe ligaste, mas antes disso tivemos a falar com dois rapazes, que poucos minutos depois também saíram. Ainda esperei-os, mas como nenhum dos três voltou, fui a procura.
O Nigel sentou-se ao pé de mim. A cor fugiu-lhe da cara e o Brandon em vez de sorridente estava mais que sério.
-Procurei por todo o lado – continuei – perguntei a montes de gente, mas ninguém se lembrava deles, todos lembravam-se só de mim e da Aby, encontrei as chaves dela no chão ao pé do carro. Foi a única coisa. – conclui preocupada.
-Ninguém se lembrava dos dois rapazes que estiveram com vocês? – perguntou-me o Brandon.
Abanei a cabeça a dizer não.
-Não são daqui Nigel. Levaram-na.
Desta vez o Nigel olhou para mim, com uma dor horrível nos olhos.
-Levanta-te, vamos já fazer algum plano.
Olhei confusa para um, depois para outro, matutei um pouco naquilo depois olhei zangada para o Nigel. Corri para a porta de modo a ninguém poder passar. Odiava quando falavam sobre assuntos sérios, fazendo de conta que eu nem estava ali.
-Ora bem! É favor de me dizerem tudo o que sabem, porque ela, para a vossa informação é a minha melhor amiga, não sei onde ela está, nem como, nem o que faz ou lhe fizeram. Por isso não façam de conta que eu não existo aqui, porque não sabem com quem se meteram – disse furiosa e lancei olhares ameaçadores. Esperava que aquilo lhes soou como uma ameaça.
A expressão dos dois passou de séria para confusa depois para a divertida.
OMG. Ia matá-los naquele preciso momento.
-Contem tudo o que sabem, aqui e agora – exijo, fechando a porta do meu quarto.
-Senta-te – mandou-me o Nigel.
Fiz o que ele disse, sentando-me no sofá.
-Como já devias ter reparado, nós os dois somos imortais, a Aby é uma lobisomem, e estamos aqui na Terra.
-Sim – disse eu, ouvindo tudo com muita atenção.
-Mas nenhum de nós é daqui. Existe um outro mundo, onde todas as criaturas se misturam. Num mundo onde só existe a Noite. O Mundo que foi conquistado pelo irmão dos passados rei e rainha. Ele mandou destruir o símbolo do poder, mas o tigre, que era o tal símbolo, entregou o poder a única filha do rei e da rainha, que no processo acabou por morrer. Pelos vistos eles pensam que a herdeira está viva, eles querem matá-la e roubar-lhe o poder.
-Então, aqueles que apareceram aqui a uns dias atrás, estavam a procura da herdeira. – Pensei eu em voz alta – Ou seja, a Aby é a herdeira.
Abri muito os olhos e entrei em pânico.
-Eles querem matá-la! – Levantei-me do sofá.
-Temos que ir – diz o Brandon, pega-me na mão e saímos do quarto.

-Vamos onde? – perguntei.
-Temos que arranjar maneira de voltar ao nosso mundo. Precisamos de encontrar algum portal ou algo de género.
-Portal? Tipo assim? Um buraco entre a matéria, de modo a conseguir-mos passar para o tal outro mundo?
-Sim, é isso, o problema é como encontrá-lo. Nenhum de nós possui dons mágicos. A não seres tu claro. Mas será difícil encontrares o portal. Até para os feiticeiros é complicado. – disse-me o Nigel.
-Quem é que criou os portais?
-Eles não foram criados. Quando a família real foi destruída eles apareceram em vários pontos deste planeta, nos mais variados sítios.
Ouvi aquilo. A Aby nem estava aqui, comigo. Ela estava longe. Esperava que não lhe tivessem feito mal nenhum. Se não, destruiria-os com as minhas próprias mãos. Agora como?? De qualquer maneira, pela vingança, arranjaria maneira. 

Sem comentários:

Enviar um comentário