terça-feira, 13 de setembro de 2011

Capítulo 21

Elizabeth


Estava no quarto da Aby, que com paciência explicava o facto do porque eu ir a Londres tão espontaneamente, a minha mãe. Ela estava a passar-se e eu também. Primeiro fui eu que tive quinze minutos para lhe explicar, agora mais meia hora com a Aby.
-Toma – sussurou ela e passou-me o telemóvel.
-Mãe?
-Sim, eu deixo-te ir a Londres, mas porta-te muito bem está bem? Nada de festas e outras coisas, quando chegares lá liga-me ou manda-me um toque, escusas de gastar dinheiro.
-Está bem. Obrigada. Beijinhos e vou fazer o que disses-te, vou ter muitas saudades vossas adoro-te. – Desliguei e meti o telemóvel na mesinha de cabeceira.
-A tua mãe é mesmo desconfiada – gozou comigo a Aby.
-É como todas as outras – resmunguei – o que interessa é que ela deixou – concluo com um sorriso.
Ela riu-se.
-Levanta-te daí, e vamos falar com os rapazes, eles já devem ter planeado a viagem – pegou-me na mão e saiu do quarto comigo atrás.
Na sala, quer o Brandon quer o Nigel estavam debruçados e mesmo muito concentrados a estudar uma coisa qualquer. Ao aproximar-me vi que estavam a estudar um mapa, pelos nomes era a planta da cidade de Londres.
-Novidade? – perguntou a Aby sentando-se ao lado do Nigel.
-Nada de especial, tendo em conta que vamos ter de visitar pelo menos duas estações de comboios, aqui – apontou com o dedo o Brandon – e aqui.
Olhei para os sítios, algo me dizia que era o segundo lugar.
-Acho que basta ir-mos a esta. – encolhi os ombros e encostei-me ao sofá.
-Porque? – perguntou desconfiado o Nigel.
-Porque acho que é ali, não sei, algo me diz que sim. – encolhi novamente os ombros. Ele fez um ar pensativo.
-Ei, Nigel, se a minha melhor amiga o diz, é porque está certo, e nada de desconfiar, basta ir a uma, porque eu ainda quero visitar muitos locais lá, por isso…
-Hum, já fizeram as malas?
-Oh! Claro que já, pelo menos eu arrumei as minhas.
Dei uma palmada na minha testa. Tinha-me esquecido completamente.
-Eu sabia! – apontou para mim o dedo – nunca fazes as coisas como deve ser, mas eu ajudo-te, nunca tens muito para arrumar, por isso é na paz.
-Obrigadinha – resmunguei. Aquilo foi uma indireta bem direta, nunca tinha muito para arrumar, hum, até tenho bastante, tendo em conta a roupa que ela me comprou neste s últimos três dias. Mas mesmo assim, também não vou levar grande coisa.
-Vamos viver num hotel? – perguntei.
-Se for só poderá ser de cinco estrelas – afirmou a Aby olhando para o Nigel.
-Não linda, vamos viver na casa de um amigo do Brandon.
-Vamos? – inquiri – que amigo é esse?
O Brandon sorriu-me com um sorriso perfeito.
-Digamos assim, já é muito velho, e não é bem em Londres que vamos ficar, é lá perto.
-Que linda resposta, mas pronto, “já é muito velho”, hum… - roubou-me as palavras da boca a Aby – espera, não é bem em Londres? Que queres dizer tu com isso?
-A casa não fica bem em Londres, fica uns quilómetros a oeste de Londres, não é muito longe da estação, por isso não teremos grandes problemas.
-Hum, está bem então. Querido – virou-se para o Nigel – vou ver se me consigo transformar, e vou dar uma voltinha pelo terreno da casa, porque para ser sincera, quero ter mesmo a certeza, se aquilo que eles me injectaram não me prejudicou. Liz? Vens comigo?
-Claro que vou – respondi – vamos agora?
-Sim! Anda!
Lancei um olhar ao Nigel e encolhi os ombros. Que havia de fazer? Ela era mesmo assim.
-Tenham cuidado!
-Está bem! – gritou a Aby, por cima do ombro.
Ela correu louca por entre os arbustos e um monte de flores, saltando de banco em banco, como um coelho muito fofinho. O último salto foi a transformação.
Quatro enormes patas pisaram o chão. A cabeça gigante e peluda virou-se para mim. Os olhos cor de ouro brilhavam com emoção. Ela gostava de ser uma loba, gostava mesmo. A primeira vez que a tinha visto nesse estado, tinha ficado zangada e um pouco apavorada. Desta vez era diferente. Fiquei maravilhada com o que vi.
O lobo tinha traços femininos marcantes, que de alguma maneira dava para distinguir que era uma loba. Uma boca entreaberta, que lhe mostrava os caninos muito brancos. Parecia que ela sorria.

Uma viagem?

Sobressaltei-me ao ouvir a voz dela na minha cabeça.
-Como? – perguntei sorrindo que nem uma estúpida.

Oh! Vá lá! As cavalitas, é lógico. Não és pesada. Neste estado consigo levar o peso que quiser!

Ela avançou para mim e deitou-se no chão para eu subir.
Mexi no pêlo fofo dela e sorri como uma criança.
Sempre quis ter um peluche destes. Neste caso aquele era lindo, perfeito e mais que tudo era real!

Sobe!  ‘taz a espera de que?

-Deixa de resmungar! Estou a apreciar o momento!
Ela sacudiu a cabeça como se estivesse a rir de mim. Meti a minha mão no focinho dela.
-Cala-te e não gozes. Até nessa forma te ris de mim. Que injustiça.

Como? Tens que ver a tua cara! Tinha que ter aqui um espelho. Pareces uma criança que viu algo saído do conto de fadas.

Não liguei a aquilo e subi para as costas dela.
-Heheh, que fixe! – pensei.
O corpo pesado levantou-se do chão.

Tinha tantas saudadinhas disto. Liz, vamos para a floresta? Há lá um sítio muito bonito com uma cascata no meio. Qures?

-Não vamos demorar muito? Daqui a algumas horas vai escurecer e da última vez que lá estive, demorei a chegar.
Ela abanou outra vez a cabeça e como se não bastasse também se riu na minha mente.

Não te esqueças que eu sou uma loba. E tu foste a floresta nas tuas duas pernas boazonas. Por isso basta dizeres queres ou não. Prometo a tua segurança.

-Claro que quero! – disse. Não tinha dúvidas.

Ora bem. Então segura-te muito bem, mas mesmo muito, muito bem e respira com intervalos grande está bem?

-Sim – afirmei abraçando a cabeça gigante e peluda dela e meti a minha no pescoço dela.

Iupiiiii Cá vamos nós

Soltei um gritinho e abracei ainda mais o pescoço, quando tudo a minha volta ficou destorcido e tudo uma mistura de cores.

Então? Já não sou assim tão assustadora pois não?

Consegui balbuciar um “não”, contra os pelos dela. Passados pelo menos cinco minutos ela parou e eu abri os olhos espantada saindo cuidadosamente das costas dela.
-OMG! Já chegamos?

Sim já

Olhei a minha volta a observar o sítio e a árvore da qual caí e o Brandon me apanhou. Sorri para comigo.
-Isto é maravilhoso.
A voz que soou, já não era em minha cabeça, virei-me e vi a Aby toda contente e satisfeita a olhar também pelos lados a observar o sítio.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Capítulo 20

Elizabeth



Enquanto o Nigel e o Brandon conversavam sobre sei lá o que, desci as escadas e saí para fora da casa. Estava quase de manhã. O sol ia levantar-se daqui a pouco, e cá fora ainda era fresquinho.
Observei o jardim a minha frente, ou melhor, uma parte dele. O meu olhar parou na zona dos arbustos. Entre eles estava um vulto deitado, a forma era-me estranhamente familiar. Avancei um pouco e dei um gritinho quando percebi que o que estava deitado a minha frente era a Aby.
Corri para ela.
-Aby? – abanei-a. Devagarinho ela abriu os olhos.
-Liz! – exclamou ela e abraçou-me.
-Consegues andar?
Ela levantou-se e sacudiu o lindo vestido dela que estava com terra.
- Claro que consigo! Anda, levanta-te do chão, eu quero ver o Nigel. Estou com saudades.
Observei-a sem saber muito bem o que fazer. Acabei por ir atrás dela. Entrei em casa e subi as escadas em direcção ao quarto da Brandon.
Fiquei a observar a Aby a abraçar e a beijar o Nigel, esse todo contente trocando palavras doces com ela. O Brandon abraçou-a e afastou-se, dirigindo o olhar para mim. Desviei olhando para o chão e entrei no quarto.
-Não te fizeram nada de mal, pois não? – Perguntou o Nigel, afastando uma madeixa da cara da Aby, ela sentada ao colo dele.
-Não meu querido. Eles não encontraram o que procuravam, não me fizeram nada de mal, está descansado – cantarolou ela beijando-o novamente.
Sorri. Eles são um par lindo.
-Onde estiveste? – Perguntei – Onde arranjaste esse vestido? Porque só por acaso é lindo.
Ela sorriu-me. Como tinha eu saudades daquele lindo sorriso, que alegrava-me nos dias mais cinzentos.
-Pois, eu também acho-o lindo. Mas prefiro gastar dinheiro e comprá-lo aqui, do que recebe-lo onde eu estive.
Fiz ar de confusa.
-Afinal, onde estiveste?
-No outro mundo. Outro planeta qualquer, do qual não me lembro do nome, mas também não me interessa muito – disse-me indiferente.
-Planeta Andreô – explicou-me o Brandon.
A Aby encolheu os ombros a brincar com o cabelo do Nigel.
-Acho que é isso. De qualquer maneira prefiro estar aqui.
Todos começaram-se a rir. Incluindo eu.
-Foi assim tão mal, a tua primeira impressão sobre o nosso mundo amor? – perguntou o Nigel ainda a sorrir.
-Querido! O meu mundo sem ti é imperfeito! – diz ela e beija-o.
-É o mundo onde os teus familiares nasceram e morreram.
-Pois, dizes bem, morreram. E eu meu querido, não pretendo morrer tão cedo. – afirma.
-Ok, ok – digo a rir-me dela.
-Eles lá, deram-me comida. Fizeram-me um teste de treta e mandaram-me para aqui, fazendo uma promessa que nunca mais me incomodariam. Ah! O Alex e o Mike são tipo escravos naquele mundo. Foram pelos vistos eles que me trouxeram para lá. Eu ia para buscar uma coisa ao carro, mas eles injectaram-me uma coisa qualquer, de modo a eu não me puder transformar mais.
-Uffa. Sabes o que era? – perguntei – ela abanou a cabeça em sinal de negação. Observei-a melhor. Claro que é bom, que eles devolveram-ma, mas ela estava a esconder-me algo, para além de mais, para que eles raptaram-na. De que eles estão a procura? Iria perguntar-lhe isso  quando ficassemos sozinhas.
-Esperem! O Mike e o Alex são aqueles rapazes que me falaste Liz?
Assenti.
-Amor? Conhece-los – perguntou-lhe a Aby.
-O Alex só. Eu e ele éramos amigos. Ele detesta os humanos. Porque foi por causa de um deles que a mulher dele morreu.
-Ah? Ele disse que era por causa dele que ela foi castigada! – contrapôs a Aby.
-Não. A união entre um humano e um vampiro é proibida. A mulher dele amava os dois. Engravidou do humano. O Alex era uma figura importante lá no reino, era tipo o braço direito do rei, como vocês utilizam essa expressão aqui, o rei castigou-a e castigou o humano.
-Como? – perguntei baixinho.
-No nosso planeta só existe noite, não há sol. Ela foi submetida ao pior castigo. Queimada viva. Depois da guerra abriram-se portais, o actual governador sabe deles. Eles chegaram a terra quase de manhã, quando o sol levantou-se ela morreu. Ao amanhecer ela foi queimada. O Alex assistiu e o humano foi obrigado a ver, o que o amor dele provocara. Ele mais tarde também morreu. Ninguém sabe muito bem como.
-Oh! Pronto está bem – interrompeu-nos a Aby – podemos não falar nisso agora? Preciso de tomar um bom banho, preciso de mudar de roupa e para alem de mais estou cheia de fome!
Todos se riram.
-Qual piada?
-Nenhuma linda! Vamos! Já que estás com fome, vou fazer-te alguma coisa.
Ela sorriu.
-Liz? Vais connosco?
Abanei a cabeça.
-Não. Ainda não estou com fome – menti – vou para o meu quarto. Pode ser que consiga descobrir o portal.
-Concordo. Mas de certeza que não estás com fome?
-Certeza absoluta. Tu é que vai comer. Já estás magra que chegue.
Ela abraçou-me e saiu do quarto de mão dada com o Nigel. O Brandon ficou no quarto comigo. Nem eu nem ele falamos Eu também precisava de tomar banho, não estava cansada porque só agora é que o café e o Redbull começaram a fazer efeito. Tinha energia para dar e vender.
-Bem – levantei-me e ele também – vou fazer o que planeei, se tiver novidades aviso – que raio que eu disse?
Saí do quarto praticamente a correr, entrei no meu e fechei a porta.
Meu deus. Eu gostava realmente dele? Será? Eu sentia-me atraída por ele, quando o via sentia borboletas na barriga. Era normal? Abanei a cabeça, afastando para longe esses pensamentos.
Fui escovar os dentes. Depois do banho enrolei-me na toalha e avancei pelo quarto até ao armário
Abri-o. Em três dias estava cheio de roupa. Tinha até mais, daquilo que eu tenho em casa. Optei por uns calções e uma t-shirt vermelha. Fiz uma trança no cabelo e saí do quarto. Passei pela cozinha onde o Nigel cozinhava para a Aby. Aquela, sentada a mesa a tagarelar sem parar e ele a ouvi-la com paciência. Sorri para com os meus botões e fui para o jardim.
Encontrei um sítio lindo que era rodeado por arbustos verdes, rosas, tulipas e algumas árvores não muito altas. Tinha um banco de mármore decorado com conchas, cordas e tudo o mais. Acho que era o sítio mais lindo que já vi, pelo menos desde o dia que tou naquela casa ou mansão, vai dar ao mesmo.
Sentei-me no chão e cruzei as pernas. Muito bem. Como se encontrava um portal? Era a questão agora.
Eu não sabia o que conseguia, o que podia, e o que não poderia fazer.
Fechei os olhos, meti as mãos abertas para o céu nos joelhos e concentrei-me num só pensamento. Onde estaria o portal?
Senti o meu pulso quente, percebi que a minha tatuagem brilhava. Concentrei-me ainda mais. A minha frente apareceu uma espécie de muro, depois um comboio e torre de Big Ben. Abri os olhos e tudo desapareceu.
Fiquei uns cinco minutos sem conseguir falar.
Consegui. Big Bem. O portal estava em Londres. O mais provável numa estação de comboios. Sorri toda contente. Tinha que ir contar-lhes.
Levantei-me e virei a cabeça para o lado. Estava com uma sensação estranha de alguém estar a observar-me.
O rapaz de olhos azuis gelo e um pouco de tom prateado observava-me.
Não consegui sair do lugar. Simplesmente não conseguia. Fiquei a observá-lo.
Tinha um cabelo preto, estava vestido com uma t-shirt preta, calças pretas e uma casaco de pele preto. Era lindo. Perfeito. Um rei das trevas. Os cantos da boca dele curvaram-se. Na cara apareceu um sorriso irónico. Os dentes eram extremamente brancos. Só acordei quando ele começou a avançar para mim.
Concentrei-me. Sentia o meu coração a bater a mil. Quando recuperei o controlo sob o meu corpo, saí do lugar e comecei a correr daí para fora.
Cheguei a porta e virei-me pronta para atacá-lo, mas a minha frente não havia ninguém. Ele não foi atrás de mim. Eu não ia falar sobre nada do que aconteceu. Porque nem eu própria percebi muito bem. Acalmei-me e entrei em casa sorridente.
-Hey! Descobri! Descobri onde está o portal. Está em Londres, numa estação de comboios qualquer.
Os três olharam para mim.
-Tens a certeza perguntou-me o Brandon.
-Sim absoluta.
-Óptimo.  – disse o Nigel – Então façam as malas, vamos a Londres declarou.
-Yahoo! Londres! Shopping! Novos pares de sapatos, malas, calças, saias! – bateu palmas.
Começamos a rir-nos. Tinha a minha melhor amiga de volta, estava feliz e por um segundo esqueci-me do rapaz que me tinha observado com tanta curiosidade.
Abracei a Aby, ainda a rir-me dela.
Troquei um olhar com o Brandon que me sorriu de uma maneira única, senti-me a aquecer por dentro. Também lhe retribui o sorriso.

Capítulo 19

Elizabeth



Enquanto o Nigel e o Brandon conversavam sobre sei lá o que, desci as escadas e saí para fora da casa. Estava quase de manhã. O sol ia levantar-se daqui a pouco, e cá fora ainda era fresquinho.
Observei o jardim a minha frente, ou melhor, uma parte dele. O meu olhar parou na zona dos arbustos. Entre eles estava um vulto deitado, a forma era-me estranhamente familiar. Avancei um pouco e dei um gritinho quando percebi que o que estava deitado a minha frente era a Aby.
Corri para ela.
-Aby? – abanei-a. Devagarinho ela abriu os olhos.
-Liz! – exclamou ela e abraçou-me.
-Consegues andar?
Ela levantou-se e sacudiu o lindo vestido dela que estava com terra.
- Claro que consigo! Anda, levanta-te do chão, eu quero ver o Nigel. Estou com saudades.
Observei-a sem saber muito bem o que fazer. Acabei por ir atrás dela. Entrei em casa e subi as escadas em direcção ao quarto da Brandon.
Fiquei a observar a Aby a abraçar e a beijar o Nigel, esse todo contente trocando palavras doces com ela. O Brandon abraçou-a e afastou-se, dirigindo o olhar para mim. Desviei olhando para o chão e entrei no quarto.
-Não te fizeram nada de mal, pois não? – Perguntou o Nigel, afastando uma madeixa da cara da Aby, ela sentada ao colo dele.
-Não meu querido. Eles não encontraram o que procuravam, não me fizeram nada de mal, está descansado – cantarolou ela beijando-o novamente.
Sorri. Eles são um par lindo.
-Onde estiveste? – Perguntei – Onde arranjaste esse vestido? Porque só por acaso é lindo.
Ela sorriu-me. Como tinha eu saudades daquele lindo sorriso, que alegrava-me nos dias mais cinzentos.
-Pois, eu também acho-o lindo. Mas prefiro gastar dinheiro e comprá-lo aqui, do que recebe-lo onde eu estive.
Fiz ar de confusa.
-Afinal, onde estiveste?
-No outro mundo. Outro planeta qualquer, do qual não me lembro do nome, mas também não me interessa muito – disse-me indiferente.
-Planeta Andreô – explicou-me o Brandon.
A Aby encolheu os ombros a brincar com o cabelo do Nigel.
-Acho que é isso. De qualquer maneira prefiro estar aqui.
Todos começaram-se a rir. Incluindo eu.
-Foi assim tão mal, a tua primeira impressão sobre o nosso mundo amor? – perguntou o Nigel ainda a sorrir.
-Querido! O meu mundo sem ti é imperfeito! – diz ela e beija-o.
-É o mundo onde os teus familiares nasceram e morreram.
-Pois, dizes bem, morreram. E eu meu querido, não pretendo morrer tão cedo. – afirma.
-Ok, ok – digo a rir-me dela.
-Eles lá, deram-me comida. Fizeram-me um teste de treta e mandaram-me para aqui, fazendo uma promessa que nunca mais me incomodariam. Ah! O Alex e o Mike são tipo escravos naquele mundo. Foram pelos vistos eles que me trouxeram para lá. Eu ia para buscar uma coisa ao carro, mas eles injectaram-me uma coisa qualquer, de modo a eu não me puder transformar mais.
-Uffa. Sabes o que era? – perguntei – ela abanou a cabeça em sinal de negação. Observei-a melhor. Claro que é bom, que eles devolveram-ma, mas ela estava a esconder-me algo, para além de mais, para que eles raptaram-na. De que eles estão a procura? Iria perguntar-lhe isso  quando ficassemos sozinhas.
-Esperem! O Mike e o Alex são aqueles rapazes que me falaste Liz?
Assenti.
-Amor? Conhece-los – perguntou-lhe a Aby.
-O Alex só. Eu e ele éramos amigos. Ele detesta os humanos. Porque foi por causa de um deles que a mulher dele morreu.
-Ah? Ele disse que era por causa dele que ela foi castigada! – contrapôs a Aby.
-Não. A união entre um humano e um vampiro é proibida. A mulher dele amava os dois. Engravidou do humano. O Alex era uma figura importante lá no reino, era tipo o braço direito do rei, como vocês utilizam essa expressão aqui, o rei castigou-a e castigou o humano.
-Como? – perguntei baixinho.
-No nosso planeta só existe noite, não há sol. Ela foi submetida ao pior castigo. Queimada viva. Depois da guerra abriram-se portais, o actual governador sabe deles. Eles chegaram a terra quase de manhã, quando o sol levantou-se ela morreu. Ao amanhecer ela foi queimada. O Alex assistiu e o humano foi obrigado a ver, o que o amor dele provocara. Ele mais tarde também morreu. Ninguém sabe muito bem como.
-Oh! Pronto está bem – interrompeu-nos a Aby – podemos não falar nisso agora? Preciso de tomar um bom banho, preciso de mudar de roupa e para alem de mais estou cheia de fome!
Todos se riram.
-Qual piada?
-Nenhuma linda! Vamos! Já que estás com fome, vou fazer-te alguma coisa.
Ela sorriu.
-Liz? Vais connosco?
Abanei a cabeça.
-Não. Ainda não estou com fome – menti – vou para o meu quarto. Pode ser que consiga descobrir o portal.
-Concordo. Mas de certeza que não estás com fome?
-Certeza absoluta. Tu é que vai comer. Já estás magra que chegue.
Ela abraçou-me e saiu do quarto de mão dada com o Nigel. O Brandon ficou no quarto comigo. Nem eu nem ele falamos Eu também precisava de tomar banho, não estava cansada porque só agora é que o café e o Redbull começaram a fazer efeito. Tinha energia para dar e vender.
-Bem – levantei-me e ele também – vou fazer o que planeei, se tiver novidades aviso – que raio que eu disse?
Saí do quarto praticamente a correr, entrei no meu e fechei a porta.
Meu deus. Eu gostava realmente dele? Será? Eu sentia-me atraída por ele, quando o via sentia borboletas na barriga. Era normal? Abanei a cabeça, afastando para longe esses pensamentos.
Fui escovar os dentes. Depois do banho enrolei-me na toalha e avancei pelo quarto até ao armário
Abri-o. Em três dias estava cheio de roupa. Tinha até mais, daquilo que eu tenho em casa. Optei por uns calções e uma t-shirt vermelha. Fiz uma trança no cabelo e saí do quarto. Passei pela cozinha onde o Nigel cozinhava para a Aby. Aquela, sentada a mesa a tagarelar sem parar e ele a ouvi-la com paciência. Sorri para com os meus botões e fui para o jardim.
Encontrei um sítio lindo que era rodeado por arbustos verdes, rosas, tulipas e algumas árvores não muito altas. Tinha um banco de mármore decorado com conchas, cordas e tudo o mais. Acho que era o sítio mais lindo que já vi, pelo menos desde o dia que tou naquela casa ou mansão, vai dar ao mesmo.
Sentei-me no chão e cruzei as pernas. Muito bem. Como se encontrava um portal? Era a questão agora.
Eu não sabia o que conseguia, o que podia, e o que não poderia fazer.
Fechei os olhos, meti as mãos abertas para o céu nos joelhos e concentrei-me num só pensamento. Onde estaria o portal?
Senti o meu pulso quente, percebi que a minha tatuagem brilhava. Concentrei-me ainda mais. A minha frente apareceu uma espécie de muro, depois um comboio e torre de Big Ben. Abri os olhos e tudo desapareceu.
Fiquei uns cinco minutos sem conseguir falar.
Consegui. Big Bem. O portal estava em Londres. O mais provável numa estação de comboios. Sorri toda contente. Tinha que ir contar-lhes.
Levantei-me e virei a cabeça para o lado. Estava com uma sensação estranha de alguém estar a observar-me.
O rapaz de olhos azuis gelo e um pouco de tom prateado observava-me.
Não consegui sair do lugar. Simplesmente não conseguia. Fiquei a observá-lo.
Tinha um cabelo preto, estava vestido com uma t-shirt preta, calças pretas e uma casaco de pele preto. Era lindo. Perfeito. Um rei das trevas. Os cantos da boca dele curvaram-se. Na cara apareceu um sorriso irónico. Os dentes eram extremamente brancos. Só acordei quando ele começou a avançar para mim.
Concentrei-me. Sentia o meu coração a bater a mil. Quando recuperei o controlo sob o meu corpo, saí do lugar e comecei a correr daí para fora.
Cheguei a porta e virei-me pronta para atacá-lo, mas a minha frente não havia ninguém. Ele não foi atrás de mim. Eu não ia falar sobre nada do que aconteceu. Porque nem eu própria percebi muito bem. Acalmei-me e entrei em casa sorridente.
-Hey! Descobri! Descobri onde está o portal. Está em Londres, numa estação de comboios qualquer.
Os três olharam para mim.
-Tens a certeza perguntou-me o Brandon.
-Sim absoluta.
-Óptimo.  – disse o Nigel – Então façam as malas, vamos a Londres declarou.
-Yahoo! Londres! Shopping! Novos pares de sapatos, malas, calças, saias! – bateu palmas.
Começamos a rir-nos. Tinha a minha melhor amiga de volta, estava feliz e por um segundo esqueci-me do rapaz que me tinha observado com tanta curiosidade.
Abracei a Aby, ainda a rir-me dela.
Troquei um olhar com o Brandon que me sorriu de uma maneira única, senti-me a aquecer por dentro. Também lhe retribui o sorriso.

sábado, 10 de setembro de 2011

Capítulo 18

Aby

Não acreditei no que vi.
Entrei numa sala gigante, que era digamos assim o triplo do meu quarto, por isso imaginem. A minha frente estava uma mesa gigantesca também, que pelo que me pareceu tinha cerca de 5 metros de comprimento e 2 de largura. Na mesa estavam os mais variados tipo de comida, ao olhar para aquilo, ganhei água na boca, a última vez que comi foi ao almoço. A mesa nem sequer estava cheia, pelo que não percebi para que aquele cenário todo, se me queriam matar.
-Boa Noite. – sorriu-me uma mulher e fez sinal para eu me aproximar.
Avancei devagarinho, uma empregada afastou a cadeira para eu me sentar.
Sorri-lhe. O lugar que me tinham preparado ficava no outro oposto da mesa, de modo eu a ficar mesmo a frente do rei e rainha e ao mesmo tempo longe deles. Será que eram mesmo reis? Hum. Isso dava que pensar.
-Chegaste atrasada – falou-me a rapariga de a bocado. Lancei-lhe um olhar reprovador, e observei-a, ela também mudou de roupa, para um vestido, um pouco mais longo e preto. Ela brindou-me com um sorriso que maléfico que lhe mostrou os dentes aguçados e extremamente brancos. Eu também lhe fiz um sorriso, o do tipo mais sarcástico que tinha.
-Peço desculpa, tinha que limpar o sangue, e tive que mandar para o lixo o novo top que custa um monte de dinheiro novinho em folha, e tudo por culpa vossa – disse, olhando com um olhar de anjo para a rapariga.
-Oh, queres que te peça desculpa? – perguntou-me ela.
-Sim, quero.
-Não queres mais nada – respondeu-me ela.
-Chega! – a voz sobressaltou-me. O homem que falou era o tal rei, a voz era grave, ele não parecia ter mais de trinta anos, o que não me admirou, afinal eu também iria ter os meus dezoito para sempre, quando chegasse a essa idade. Se alguma vez chegasse claro. Tinham planos para mim.
A rapariga virou-se para o homem, baixou os olhos e curvou a cabeça com um pedido de desculpas.
-Abygaill.
Olhei para ele ao ouvir o meu nome. Como sabia?
-É um prazer ter a herdeira, filha do meu irmão, aqui a mesa, e saber que ela está viva.
A última palavra provocou-me arrepios.
-Prazer é todo meu. – Disse cínica, eram as palavras preferidas da Liz. Gostava de saber como ela estava…
-Não comes nada? – perguntou.
-Não tem veneno?
Eles sorriram.
-Claro que não.
Olhei desconfiada para a comida. Ora bem. Não me iam matar já, não era? Se não já estaria morta há muito tempo, para além de mais, estava com tanta fome. Peguei no garfo e na faca e tirei um pedaço de carne para provar. Era saboroso. Comecei a comer. Bebi um gole de…esperem. Vinho? Só agora é que reparei, que a mesa estava com vinho tinto, a rapariga também tinha um copo cheio.
-Porque me trouxeram para aqui? – Perguntei, parando de comer. Já matei a fome. Aquilo bastou-me.
-Não te sentes bem no teu mundo? – Perguntou-me o homem, fazendo cara de admirado.
Olhei para ele em tom de gozo.
-Que eu saiba este mundo já não é meu a muito tempo.
Ele olhou para mim com um sorriso estúpido na cara, depois volto-se para a tal Adomenteia.
-O meu filho onde está? Não vai aparecer a mesa?
-Não senhor. Hoje ele não está.
-Hum. Interessante. Parece que não vais conhece-lo hoje querida.
-Ainda bem – respondi-lhe encostando-me a cadeira e cruzando os braços no peito.
Ele levantou-se da mesa.
-Anda – fez-me sinal para segui-lo.
Ainda pensei não obedecer mas lá teve que ser.
Segui-o. Quando saímos para fora, vi aquilo que parecia uma cidade enorme, cheia de luzes a brilhar. Voltei-me para trás. Aquilo não era uma casa. Era um palácio. Oh meu deus. Eles eram mesmo ricos. O palácio era ao pé de uma floresta, avancei atrás deles por entre as árvores, a olhar pelos lados. As árvores eram altas e bonitas, o céu estava azul escoro limpo cheio de estrelas. Devia ser fixe viver num mundo onde não existisse luz. Acordar tarde, sem os raios de sol irritantes chatearem-te. Pelo que me pareceu fazia calor, apesar de ter deixado de sentir frio há muito, muito tempo, mas mesmo assim.
Paramos no meio da floresta, onde estava uma espécie de templo, mas sem tecto, as rochas estavam esculpidas em forma de sete dragões e no meio estava um tigre. Mais a baixo estava tipo uma mesa. Nela havia uma vela, um pedaço de rocha, gelo que estava a derreter-se e mais umas coisas quais queres.
-Vem cá. – mandou-me ele e eu obedeci.
-Para que? – perguntei a olhar para aquilo.
-Faz qualquer coisa com isto. Faz algo está bem?
Olhei para ele com uma sobrancelha levantada, depois fechei os olhos. Ora bem. Se ele queria magia, eu não a possuía. Mas era só para acabar o mais rápido possível com aquilo.
Estendi as mãos a minha frente e concentrei-me. Fiquei assim cinco minutos por aí. O homem agarrou-me pelos ombros claramente zangado e olhou-me nos olhos.
-Não és tu – sussurou. Empurrou-me de modo eu cair no chão. Levantei-me rapidamente.
-Oiça lá. Voce pode ser um rei aqui, ou sei lá que mais. Mas a mim não trata desta maneira, ouviu? Eu não sou sua empregada ou outra coisa qualquer, por isso é melhor ter respeito.
Eu já me sentia melhor. Mais confiante. Parece que aquilo que eles me injectaram desapareceu do meu organismo. Agora podia-me transformar.
Mas mesmo de eu acabar de dizer essas palavras. Agarrei a cabeça com as mãos. A dor que me invadiu era terrível. Os meus joelhos cederam e eu caí ao chão.
-Já chega – disse o homem.
Estava de tal modo zangado que abri a boca a mostrar os dentes que apareceram. Pela espressão da Adomenteia os meus olhos também mudaram, mas para além dela ninguém mais mudou da expressão. A dor que me invadiu desta vez era ainda pior, os olhos da vampira estavam semicerrados, pelo que percebi ela estava totalmente concentrada em mim.
-Parem! – pedi, não aguentava mais aquilo.
O homem fez sinal para a rapariga. Essa parou. Iria matá-la quando a dor parasse. Juro! Ele abaixou-se e disse-me ao ouvido.
-Aqui não és tu que mandas. Tudo aqui é meu. Ao jantar disses-te muito bem. Este mundo já há muito tempo não é teu. Tu não és aquela de quem eu estou a procura. Vou te deixar viver, pelo menos aqui neste mundo hoje não morrerás. Vais voltar a Terra. E prometo, não te vou perturbar mais, só se tu fizeres o mesmo.
Agarrou-me na cabeça e olhou-me nos olhos. Os olhos metálicos invadiram-me de medo e eu senti os olhos a fecharem-se. OMG! O que ele estava a fazer? 

Capítulo 17

Elizabeth



Depois de ficar a chorar uns três minutos, limpei a cara com a manga do casaco e tirei o telemóvel.
Pode parecer esquisito, mas eu só choro quando estou muito irritada, até não dar para conter mais. Além disso, estava mesmo preocupada com ela, não podia perder tempo.
Procurei na lista o número da Aby e cliquei em chamar. Ela não atendia, ou melhor dizia uma treta qualquer, que o operador está fora de não sei o que.
Levantei-me do chão e tentei abrir a porta do carro. Tinha que voltar para casa. Para a minha admiração deu. Estava prestes a entrar, quando o meu pé pisou algo pequeno e duro. Abaixei-me e apanhei as chaves do carro dela.
Ela devia ter aberto o carro, para meter ou buscar qualquer coisa quando a “raptaram” – pensei – tenho que voltar o mais rapidamente possível, contar tudo ao Brandon e ao Nigel, eles saberiam o que fazer.
Saí do parque de estacionamento e comecei a viagem de volta a alta velocidade. Não segui muito bem as regras todas, mas não valia a pena, estava com pouco tempo.
Passadas praticamente três horas, pensei seriamente no que ia dizer-lhes. Estava a morrer de sono. Pelo caminho bebi pelo menos um litro de café. Duas latas de Redbull, funcionou de grande coisa. Estacionei a frente da casa e fui até a entrada.
Enchi o peito do ar e abri a porta, rezando para que eles não estejam na sala. Suspirei de alívio. Não estavam. Silenciosamente andei pela casa, com esperança de os encontrar, precisava de lhes contar o mais rápido possível. Subi escadas a cima, e caminhei em direcção ao quarto do Brandon. No escuro bati contra algo duro e forte. Afastei-me rapidamente e procurei pela luz.
Vi um deus! Ou melhor, vi o Brandon, que estava a minha frente, só com calças de ganga. A ferida já nem se notava, o cabelo dele caía com estilo para o lado, e estava meio despenteado.
Fiz um enorme esforço para não abrir a boca e não tocar com a minha mão nele, para certificar-me que era real.
OMG.
Se a Aby me visse agora. Abanei a cabeça. Aby. Era o que interessava agora. Que estúpida egoísta que sou, a minha melhor amiga esta em apuros e eu aqui a imaginar.
-Olá – sorriu ele.
Não tinha tempo para cerimónias. Agarrei-lhe no braço e puxei-o para o meu quarto. Larguei-o na cama e sentei-me ao lado.
-O que aconteceu? – sorriu-me ele.
Inspirei fundo umas poucas vezes, até ganhar coragem. Quando finalmente ia para dizer alguma coisa, pela porta entrou o Nigel.
-Liz? – Sorriu – Onde está a Aby?
Era agora o momento.
-Eu não sei – disse sem uma ponta de emoção na voz – ela saiu para fora quando tu lhe ligaste, mas antes disso tivemos a falar com dois rapazes, que poucos minutos depois também saíram. Ainda esperei-os, mas como nenhum dos três voltou, fui a procura.
O Nigel sentou-se ao pé de mim. A cor fugiu-lhe da cara e o Brandon em vez de sorridente estava mais que sério.
-Procurei por todo o lado – continuei – perguntei a montes de gente, mas ninguém se lembrava deles, todos lembravam-se só de mim e da Aby, encontrei as chaves dela no chão ao pé do carro. Foi a única coisa. – conclui preocupada.
-Ninguém se lembrava dos dois rapazes que estiveram com vocês? – perguntou-me o Brandon.
Abanei a cabeça a dizer não.
-Não são daqui Nigel. Levaram-na.
Desta vez o Nigel olhou para mim, com uma dor horrível nos olhos.
-Levanta-te, vamos já fazer algum plano.
Olhei confusa para um, depois para outro, matutei um pouco naquilo depois olhei zangada para o Nigel. Corri para a porta de modo a ninguém poder passar. Odiava quando falavam sobre assuntos sérios, fazendo de conta que eu nem estava ali.
-Ora bem! É favor de me dizerem tudo o que sabem, porque ela, para a vossa informação é a minha melhor amiga, não sei onde ela está, nem como, nem o que faz ou lhe fizeram. Por isso não façam de conta que eu não existo aqui, porque não sabem com quem se meteram – disse furiosa e lancei olhares ameaçadores. Esperava que aquilo lhes soou como uma ameaça.
A expressão dos dois passou de séria para confusa depois para a divertida.
OMG. Ia matá-los naquele preciso momento.
-Contem tudo o que sabem, aqui e agora – exijo, fechando a porta do meu quarto.
-Senta-te – mandou-me o Nigel.
Fiz o que ele disse, sentando-me no sofá.
-Como já devias ter reparado, nós os dois somos imortais, a Aby é uma lobisomem, e estamos aqui na Terra.
-Sim – disse eu, ouvindo tudo com muita atenção.
-Mas nenhum de nós é daqui. Existe um outro mundo, onde todas as criaturas se misturam. Num mundo onde só existe a Noite. O Mundo que foi conquistado pelo irmão dos passados rei e rainha. Ele mandou destruir o símbolo do poder, mas o tigre, que era o tal símbolo, entregou o poder a única filha do rei e da rainha, que no processo acabou por morrer. Pelos vistos eles pensam que a herdeira está viva, eles querem matá-la e roubar-lhe o poder.
-Então, aqueles que apareceram aqui a uns dias atrás, estavam a procura da herdeira. – Pensei eu em voz alta – Ou seja, a Aby é a herdeira.
Abri muito os olhos e entrei em pânico.
-Eles querem matá-la! – Levantei-me do sofá.
-Temos que ir – diz o Brandon, pega-me na mão e saímos do quarto.

-Vamos onde? – perguntei.
-Temos que arranjar maneira de voltar ao nosso mundo. Precisamos de encontrar algum portal ou algo de género.
-Portal? Tipo assim? Um buraco entre a matéria, de modo a conseguir-mos passar para o tal outro mundo?
-Sim, é isso, o problema é como encontrá-lo. Nenhum de nós possui dons mágicos. A não seres tu claro. Mas será difícil encontrares o portal. Até para os feiticeiros é complicado. – disse-me o Nigel.
-Quem é que criou os portais?
-Eles não foram criados. Quando a família real foi destruída eles apareceram em vários pontos deste planeta, nos mais variados sítios.
Ouvi aquilo. A Aby nem estava aqui, comigo. Ela estava longe. Esperava que não lhe tivessem feito mal nenhum. Se não, destruiria-os com as minhas próprias mãos. Agora como?? De qualquer maneira, pela vingança, arranjaria maneira. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Capítulo 16

Aby
Abro os olhos. Foi a primeira coisa que fiz. Não havia luz praticamente nenhuma, ou então eu estava a ver mal.
Os meus pulsos doíam-me como não sei o que. Era uma dor desgastante e horrível. Olhei para cima. Estava amarrada a uma coisa qualquer, os pulsos estavam atados com uma corda que me aleijava a pele.
Fiz força. Não consegui libertar-me.
Concentrei-me. Imaginei que o meu corpo mudava, transformava-se, mas nada, nada de nada. Não me transformei.
O que estava a acontecer comigo? Não tinha força nenhuma. Tentei lembrar-me de alguma coisa.
Tinha saído para fora, andei pelo parque de estacionamento a conversar ao telemóvel com o Nigel, depois desliguei, senti algo doloroso nas costas e pronto. Não me lembro de mais nada. Agora tou aqui. Já agora, aqui onde? – pensei.
Observei a sala onde estava.
Não havia janelas, era tudo de pedra, tudo cinzento. Havia uma lâmpada com uma luz fraca que iluminava pouco. De certeza que os donos disto, não tiveram dinheiro, pelo menos para melhorar o sítio mais horrível em que estive.
-Vá, Aby, tu consegues! – Balbuciei para mim e fiz força para tentar libertar-me.
Guinchei de dor.
A corda estava mergulhada num líquido qualquer, que me queimava a pele, a queimadura que ficava era do 3º grau, a pele desfazia-se e refazia-se rapidamente, o sangue escorregava-me pelos braços. O meu top novinho em folha estava estragado. O processo era doloroso. Contive-me para não gritar de dor.
Lembrei-me do episódio em que o Stefan foi apanhado e torturado pelos vampiros da igreja, que queriam vingança. Esse pensamento arrepiou-me.
Ouvi uns passos que vinham na direcção daquela masmorra, fiquei em silêncio.
A pesada porta de ferro abriu-se, e fiquei admirada com o que vi. Pela porta entraram o Alex e o Mike.
-Alex? Mike? O que faço aqui? Onde está a Liz?
-A tua amiga não foi precisa, precisávamos de ti. – disse o Mike.
-Libertem-me – exigi – isto dói!
O Mike riu-se sarcástico. O riso era arrepiante. Vi a faceta real dele.
-Não és tu que mandas aqui! – as palavras eram como punhais carregados de ódio.
-Para que precisam de mim?
Os dois riram-se, mas falou o Mike.
-Para te matar. Matar a última pretendente ao trono e guardiã do poder, mas antes disso tirar-te esse poder.
O sorriso dele não era nada amigável, encolhi-me toda.
Eu não podia ser a guardiã do poder. Nem sabia que poder era esse. Eu era uma das guardiãs, mas da princesa, aquela que morreu juntamente com a família real.
-Não sou nada disso – gritei zangada – Libertem-me já!
Ao dizer isso levei um murro na cara. Tive que me conter, para não gemer de dor.
-Já te dissemos! Tu não mandas aqui. Por isso é favor ficares calada, se não quiseres estragar essa beleza. – rugiu o Mike.
-Esta beleza não é para os teus olhos – disse sarcasticamente.
Ele levantou outra vez a mão, mas na sala ouviu-se um:
-Parem já!
A voz arrepiou-me ainda mais. Pela porta entrou uma mulher, ou melhor uma rapariga, bonita, vestia um vestido elegante azul escuro que lhe colava-se ao corpo bem formado. O vestido era tão mini, oh meu deus! O cabelo era preto liso que ia mais a baixo dos ombros, o resto era belo e os olhos eram tão castanhos que pareciam pretos.
Nunca admirei uma beleza daquela. Não era o facto de ter inveja, é que os olhos faziam-me lembrar uma cobra pronta a atacar.
O Mike sorriu maravilhado, como se fosse uma criança que acabou de ver um gelado que ele tanto queria. O Alex tinha os traços do rosto agressivos, mas também era belo, ambos curvaram educadamente a cabeça, mas só o Mike é que sorria.
-Perfeito! – exclamou com um sorriso que mostrava uns dentes brancos e um pouco aguçados – encontraram a guardiã.
Observou-me de cima a baixo demoradamente. Se conseguisse transformar-me a cabeça dela já estava no chão e o corpo do outro lado da sala. Metia-me nervos aquela rapariga.
-Libertem-na. Tratam dela não fugir e aparecer a mesa às horas. - mandou e saiu da sala elegantemente.
-O que ela é? – perguntei ao Alex.
Pelo que percebi, ele gostava tanto de ficar ali, como eu. Era mais calmo, e pelos vistos mais letal.
-Vampira – respondeu, avançando para mim, com um punhal.
Olhei ameaçadoramente para ele, quando ele aproximou-se de mim. Mas fez o que eu menos esperava. Libertou-me. Caí no chão e aleijei-me. Não tinha força nenhuma nos braços. Sacudi a corda e observei os pulsos. As feridas estavam a sarar-se outra vez, os pulsos estavam negros avermelhados.
-O que me meteram? Porque isto tá assim? Isto aleija! – disse desesperada.
Nenhum dos dois respondeu. O Mike já tinha saído, pelo que na sala só ficou o Alex. Graças a deus.
-Existe algum tipo de relação entre eles? – perguntei.
Ele demorou um pouco a responder. Olhou para mim ainda alguns segundos depois desviou o olhar.
- Membros da família real, utilizam-nos como escravos. O Mike, apesar de não o querer admitir é um escravo da Adamenteia. – respondeu arrumando as coisas.
-Adamentei? – perguntei a rir-me – que raio de nome?
Ele lançou-me um olhar zangado, por isso deixei de sorrir e encolhi os ombros.
-Então? Ela é da família real não é? Quem exactamente?
-Ela não é bem da família real. Todos da família real morreram – depois olhou para mim – e tu também irás morrer em breve, és a última que sobrou. Acho que a tua alma reencarnou, pelos vistos.
Engoli em seco. Ia morrer? Oh meu deus! Queria casar com o Nigel, e ter uma vida perfeita. Apesar de não poder ter filhos.
-Se todos os membros da família real morreram, quem é ela?
-Ela é digamos assim o braço direito do rei e da rainha. O Mike gosta dela. Ela tem uma relação com o filho dos governantes. Apesar desse não gostar dela e só usá-la – fez uma pausa – bem, tu sabes para que – fez-me sinal para segui-lo.
-Sim, percebi. E tu? – perguntei – Parece que não gostas dela.
Ele não respondeu. Fiquei calada mas depois falei.
-Quem é que perdeste?
Ele não parou.
-A minha mulher.
-Mulher? – perguntei.
-Sim, mataram-na aos meus olhos, pelo erro que fiz. Queimaram-na na terra. Ao sol. Não pude fazer nada.
Absorvi o que ele acabou de dizer. Que horror. Não aguentaria ver o Nigel, ou até a Liz, ou o Brandon morrerem aos meus olhos.
-Porque na terra? Não estamos já nela?
-Isto é o planeta Adreô, somos imortais, e os vampiros não podem aparecer ao sol, este é um mundo onde existem criaturas que não existem na terra, mas que arranjaram maneira de lá aparecer, quando a realeza foi destruída. Aqui é sempre de noite. Para a nossa segurança.
Pensei naquilo que ele acabou de dizer.
-Chegamos – disse ele.
Parei e entrei no quarto que era o dobro do meu. Era lindo também.
-Vai tomar banho, e veste a roupa que te deixaram. A sala de jantar é pela frente e a esquerda. Aparece cedo, os donos não gostam de esperar.
Com essas palavras ele afastou-se rapidamente, sem  eu lhe poder dizer nada. Na cama estava um vestido verde bonito, com fitas no obro esquerdo, que davam ao vestido um ar elegante, ao lado estava a minha mala. Tirei de lá o telemóvel e olhei para o ecrã. Marquei o número da Liz, mas não havia rede. Meti-o de volta a mala, e sentei-me insatisfeita na cama.
Estava presa ali. O que o Alex me contou, deixou-me triste. Estava preocupada com a Liz, o que ela estaria a fazer? De certeza que me andou a procurar por todos os lados. Aqui não havia rede. Acreditando no Alex, este era um outro mundo. Eu era um membro da família real, e restava-me pouco tempo de vida.
Não consegui acreditar nisso. Era impossível. Eu não podia ser nada disso. Não me sentia alguém que tenha “sangue azul” nas veias. Aquilo era um engano, um engano muito sério.
Levantei-me ainda a pensar nas palavras do Alex e liguei a água. Enquanto que ela limpava-me o corpo, tirando os restos do sangue fui pensando.
O que o Alex tinha feito tão de errado, para se castigado daquela maneira? Era impossível. Era errado. Ver a morte da pessoa amada afrente dos olhos é terrível. O mais provável era ele querer vingança. Bem pareceu que no bar o sorriso dele era muito forçado.
Eu nunca mais iria sorrir se me acontecesse uma coisa dessas. Nunca mais.
Saí do banho, arranjei-me e vesti o vestido que me tinham deixado. O meu cabelo estava horrível. Penteei-o e arranjei-o o melhor possível. Estava outra vez as ondas, mas sentia-me bem assim.
Abandonei o quarto e passando pelas janelas gigantes, onde notava-se uma noite estrelada mas sem lua, encaminhei-me para a sala de jantar, que até não estava longe do quarto.
Entrei.